{"id":27289,"date":"2021-04-11T09:40:17","date_gmt":"2021-04-11T12:40:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=27289"},"modified":"2021-04-11T09:40:17","modified_gmt":"2021-04-11T12:40:17","slug":"restaurante-de-dalva-valdir-barbosa-presta-uma-homenagem-a-essa-ilustre-senhora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2021\/04\/11\/restaurante-de-dalva-valdir-barbosa-presta-uma-homenagem-a-essa-ilustre-senhora\/","title":{"rendered":"Restaurante de Dalva: Valdir Barbosa presta uma homenagem a essa ilustre senhora"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-2121 alignright\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa-300x199.jpg\"  alt=\"delegado valdir barbosa\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor galinha caipira da cidade voc\u00ea encontrava no Restaurante de Dalva, situado na Avenida Fernando Spinola, frequentado por bo\u00eamios, pol\u00edticos, empres\u00e1rios e intelectuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito oportuna a homenagem que o delegado aposentado Valdir Barbosa presta a essa amiga e excelente profissional da arte de cozinhar. Acompanhe o belo texto do autor:<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 &#8220;DALVA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Restaurantes abertos no fim de semana, ainda com hor\u00e1rio limitado, al\u00e9m do que, quem quiser comer, por exemplo, a feijoada do Barbacoa, o sarapatel de Moreira, o arroz de polvo do Boteco do Fran\u00e7a, o churrasco do Sal Brasa, se v\u00ea proibido de provar das iguarias, ao embalo de caipirinhas, roscas, cerveja e vinho. Assim reza o decreto, no talante das decis\u00f5es sem sentido dos que (e)ditam as normas nestes tempos &#8211; ditadores de plant\u00e3o &#8211; e, ai de quem se atreva a desobedecer,\u00a0 claro, afora os corajosos\u00a0 viventes dos lugares onde as autoridades continuam temerosas de fiscalizar e fazer cumprir, at\u00e9 mesmo, leis de verdade. Droga!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre estas e outras exclama\u00e7\u00f5es decido buscar almo\u00e7o, no Porto do Moreira, sob uma chuva torrencial que lava, sem tr\u00e9guas, o centro da cidade. Estaciono o carro em fila dupla, logo ap\u00f3s o ponto de \u00f4nibus, pouco depois do mercado das flores e corro para pegar a rabada com pir\u00e3o e sarapatel com arroz, farofa e vinagrete cumprindo a miss\u00e3o que me p\u00f5e de volta ao lar, ensopado, cabe\u00e7a aos p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha consorte e sua sobrinha, fiel escudeira, no desiderato do lar, pela aus\u00eancia das secretarias, em falta, nestes tempos pand\u00eamicos, me veem chegar como um pinto, encharcado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece que a natureza chorava copiosamente, por algo que viria saber e desta forma ocorreu, pois, t\u00e3o logo sentei \u00e0 mesa, o s\u00e1bado ficou triste. Minha especial amiga, Tina Silveira, sobrinha de Dalva L\u00edrio, a querida Dalva do restaurante que durante muito tempo deu movimento e sabor \u00e0 Fernando Sp\u00ednola, como de resto a Vit\u00f3ria da Conquista inteira cuida de me noticiar que sua tia deixou nossa companhia partindo para a eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imediatamente viajei ao tempo das feijoadas de Dalva, justo aos s\u00e1bados e lembrei todos os detalhes daquela casa, onde os c\u00f4modos guardavam as mesas postas, sempre prontas aos clientes; do balc\u00e3o, onde ficavam tamb\u00e9m seus filhos, Eduardo, Pedro e Sergio; da cozinha, capitaneada por ela com esmero, seu toque de fada dava sabor sem igual, a tudo quanto era servido vindo daquele reduto de alquimia. O fil\u00e9 com molho, o cozido das quartas, o peixe frito ou com legumes, enfim, tudo que a culin\u00e1ria pudesse oferecer era, no Restaurante de Dalva, um manjar dos deuses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Praticamente, durante toda a d\u00e9cada de oitenta e parte dos anos noventa fui agraciado com sua aten\u00e7\u00e3o desmedida, quase tratado como filho e assim seguiu, at\u00e9 que encerrou suas atividades. Quantas vezes cheguei de Salvador, nas madrugadas frias da terra serrana e bati \u00e0 janela do quarto onde dormia, no pr\u00f3prio estabelecimento, vindo da rodovi\u00e1ria, nestas horas, Dalva acordava para fazer um caf\u00e9 supimpa, com ovos, beiju e tudo a que me dava o direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, comprou uma casa abaixo do restaurante, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Vitor Brito, quase defronte da floricultura de Yomico e Ant\u00f4nio, naquele local separou o melhor quarto para mim, canto no qual me pus abrigado at\u00e9 os idos de oitenta e quatro, antes de nascerem Valdirzinho e Maria Luiza. Ainda neste tempo arrendou o hotel Cometa e, novamente, os melhores aposentos da hospedaria me foram destinados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheceu meus segredos, testemunhou todas as minhas paix\u00f5es, depois que pude conhec\u00ea-la, aturou minhas farras, meus exageros et\u00edlicos, meus saraus com Z\u00e9 Barbosa, o ceguinho de Itapetinga, Chico Viola, Cachoeira, Moacir Morcego e outros menestr\u00e9is, dos muitos que a terra conquistense pariu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tantas vezes isto se repetiu, at\u00e9 altas horas da madrugada, mesmo estando cansada, depois do movimento intenso, conforme disse, sobretudo aos s\u00e1bados, como este dia infeliz de hoje, depois que raspava, para \u00faltimo sortudo cliente, o panel\u00e3o da feijoada famosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 isso querida Dalva, aqui, neste canto temos prazo de validade. Hoje foi seu dia de cumprir na terra, a etapa destinada pelo Criador, ent\u00e3o, segues no rumo da estrada brilhante que decerto lhe estar\u00e1 reservada no al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqueles que a precederam, tais como o saudoso Florivaldo Brito e outros tantos que privaram neste planeta, de sua amizade e companhia, com certeza ir\u00e3o abra\u00e7\u00e1-la, ainda guardando no paladar, os sabores e o carinho com os quais lhes brindastes e voc\u00ea, com seu sorriso franco e largo os far\u00e1 felizes no reencontro, assim como um dia tamb\u00e9m voltaremos a ser, da maneira que fomos, at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui engolindo com dificuldade o sarapatel de Moreira, posto a garganta se apertava em n\u00f3s sucessivos, na esteira das reminisc\u00eancias e da saudade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beijos amiga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Siga em paz.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A melhor galinha caipira da cidade voc\u00ea encontrava no Restaurante de Dalva, situado na Avenida Fernando Spinola, frequentado por bo\u00eamios, pol\u00edticos, empres\u00e1rios e intelectuais. 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