{"id":26093,"date":"2021-01-25T14:19:14","date_gmt":"2021-01-25T17:19:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=26093"},"modified":"2021-01-25T14:19:14","modified_gmt":"2021-01-25T17:19:14","slug":"um-sinal-de-esquerda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2021\/01\/25\/um-sinal-de-esquerda\/","title":{"rendered":"Um sinal de esquerda"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/iara.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-26109 alignleft\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/iara-300x284.jpg\"  alt=\"iara\" width=\"300\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/iara-300x284.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/iara.jpg 685w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Iara Damiana Campos Alves<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passageira apressada, venho observando ao longo da vida que, no percurso do dia a dia, os transeuntes cruzam-se, confrontam-se, defrontam-se, mas n\u00e3o se encontram. E, nessas minhas passagens de lucidez afetiva, cansada de tanta solid\u00e3o volunt\u00e1ria, saio em busca do meu amigo caminhador para conversarmos amenidades, sob o sol moreno da primavera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As nossas conversas apresentam sempre um produto caro, \u00e0 presta\u00e7\u00e3o, mas nunca fiado. E, entre uma fala e outra, bisbilhotamos a folha corrida da crase \u2013 variante morfofon\u00eamica, resultado da juntura de duas vogais iguais.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse dia, ele me deixou com a orat\u00f3ria do gram\u00e1tico, palavreando retic\u00eancias que norteiam normativamente esse ap\u00eandice tantas vezes supurado, vestindo as honrarias e oficialidades merecidas at\u00e9 esgotar meu \u00faltimo argumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de tantos apartes e exce\u00e7\u00f5es, ca\u00ed em terra, mudei de tom e falei comigo mesma \u2013 diabo de palavrinha complicada&#8230; Venho acompanhando sua trajet\u00f3ria, lendo, nos autos de seu processo gramatical, um n\u00famero estimativo de graves den\u00fancias \u2013 aliciadora de determinantes modestos (os valetes de confian\u00e7a dos feudo-substantivos), inimiga figadal de termos indefinidos, combatente de nome pr\u00f3prio que a Hist\u00f3ria faz c\u00e9lebre e outras a\u00e7\u00f5es criminais arquivadas na pasta da Promotoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a crase vai al\u00e9m, com seus desencontros. N\u00e3o aceita a Gram\u00e1tica, senhora muit\u00edssimo feminina, conferir abertamente o direito de prioridade ao masculino, porque ela, feminista assumida, n\u00e3o se deixa acentuar frente ao sexo forte, a n\u00e3o ser que haja saia el\u00edptica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o satisfeita, freia algumas junturas de \u00f3rg\u00e3os competentes, quando, agramaticamente, querem crasear antes de verbos, impedindo a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es diretas j\u00e1. Querem crasear a resid\u00eancia sem nome do mutu\u00e1rio, depois do confisco pelo BNH. Querem crasear o assistir a enferma na fila do INAMPS \u2013 e como craseiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, com par\u00eanteses, aspas e retic\u00eancias, pesa ultimamente a mais grave acusa\u00e7\u00e3o, depois de descoberto o motivo que explica toda essa atitude irreverente \u2013 a crase \u00e9 um sinal de esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IEED \u2013 1985<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Iara Damiana Campos Alves Passageira apressada, venho observando ao longo da vida que, no percurso do dia a dia, os transeuntes cruzam-se, confrontam-se, defrontam-se, mas n\u00e3o se encontram. 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