{"id":23471,"date":"2020-08-30T16:57:53","date_gmt":"2020-08-30T19:57:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=23471"},"modified":"2020-08-30T16:57:53","modified_gmt":"2020-08-30T19:57:53","slug":"o-velho-e-saudoso-carrasco-por-nando-da-costa-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2020\/08\/30\/o-velho-e-saudoso-carrasco-por-nando-da-costa-lima\/","title":{"rendered":"O velho e saudoso \u201cCarrasco\u201d por Nando da Costa Lima"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg\"  alt=\"nando da costa lima\" width=\"300\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boate mais famosa do interior da Bahia, n\u00e3o temos d\u00favidas, foi o Carrasc\u00e3o, nada que se pode comparar. Como diria hoje a turma jovem: \u201csem par\u00eaa!&#8221;.<br \/>\nNo alto da Serra, cheg\u00e1vamos at\u00e9 o \u201cCarrasco\u201d passando por uma estrada esburacada que Rober\u00e3o, o seu propriet\u00e1rio, fazia quest\u00e3o de n\u00e3o consertar apesar de algumas insist\u00eancias. Bem, isso s\u00f3 posso contar no privado&#8230;<br \/>\nNando da Costa Lima \u00e9 um ex\u00edmio contador de casos. Inteligente e criativo, sabe o que fazer com as palavras. A sabedoria, intelig\u00eancia e generosidade \u00e9 a marca da fam\u00edlia Mendon\u00e7a Costa Lima.<!--more--><br \/>\nVejam, na vis\u00e3o e lembran\u00e7as de Nando, o Marron (lembra, Nand\u00e3o? Rs), o que foi o nosso canto no alto da serra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Por Nando da Costa Lima<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele foi constru\u00eddo pra ser a sede do \u201cClube dos 50\u201d, uma \u00e1rea que seria usada s\u00f3 pelos s\u00f3cios. Quem desenhou a planta foi Elomar. Conquista era bem menor. O \u201cCarrasc\u00e3o\u201d ficava numa das partes mais altas da cidade, o que nos proporcionava uma vista linda. Como clube particular quase que n\u00e3o foi usado, foi a\u00ed que Rob\u00e9rio Flores comprou as partes dos s\u00f3cios e transformou aquele lugar numa das casas noturnas mais concorridas do interior da Bahia. Ali foi palco de muitos momentos bonitos de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es conquistenses, uma \u201cfesta\u201d que passou a fazer parte de nossa vida\u2026 L\u00e1 se escutavam os \u00faltimos lan\u00e7amentos das m\u00fasicas nacionais e internacionais, e na \u00e9poca de f\u00e9rias era o ponto de encontro da rapaziada. Aqui ainda n\u00e3o tinha universidade, e todo jovem que quisesse fazer um curso superior tinha que ir pra Salvador, ou pras universidades mineiras e cariocas. Todos se conheciam e isto tornava o ambiente bem mais agrad\u00e1vel, era como se f\u00f4ssemos uma s\u00f3 fam\u00edlia. Eu at\u00e9 hoje n\u00e3o consegui entender como cabia tanta gente naquele espa\u00e7o t\u00e3o reduzido, e na \u00e9poca ainda podia fumar em ambientes fechados, a fuma\u00e7a era tanta que ficava dif\u00edcil voc\u00ea distinguir as pessoas. Depois de alguns whiskys e cuba-libres ficava quase imposs\u00edvel. Ali foi a sala de in\u00edcio de namoros que hoje j\u00e1 tem at\u00e9 netos. Antes de subirmos a serra nos reun\u00edamos no Candelabro de Marivan ou no Poleiro que ficava na pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco. Quem tinha carro levava quem n\u00e3o tinha e os que sobravam dividiam uma corrida de t\u00e1xi. Mas ningu\u00e9m ficava sem assinar o ponto no Carrasc\u00e3o. Rober\u00e3o era um cara carism\u00e1tico e se dava bem com todos. Com jeito se convencia Z\u00e9 Lopes de deixar voc\u00ea entrar at\u00e9 quando estava duro! S\u00f3 que tinha dia que n\u00e3o dava pra entrar nem pagando a consuma\u00e7\u00e3o, a boate superlotada ficava t\u00e3o cheia que nem dava pra dan\u00e7ar o rock, ficava todo mundo parado, sacudindo o corpo da cintura pra cima. \u00c9 claro que de vez em quando rolava uma briga (coisa rar\u00edssima), mas o espa\u00e7o era t\u00e3o pequeno e a amizade t\u00e3o grande que acabava logo depois que come\u00e7ava. Quando a briga era do lado de fora, Z\u00e9 Lopes, com seu traje impecavelmente preto apartava e ainda dava uma bronca nos brig\u00f5es. A t\u00e9cnica dele era simples: bastava amea\u00e7ar que se continuasse a briga n\u00e3o entrava t\u00e3o cedo no \u201cCarrasco\u201d que os valent\u00f5es abaixavam a bola. O Carrasc\u00e3o era como se fosse um divisor de \u00e1guas, ele marcou a transi\u00e7\u00e3o da puberdade para a vida adulta de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es\u2026 Depois de passar a primeira noitada no Carrasc\u00e3o, n\u00f3s conquistenses pass\u00e1vamos a ver Conquista de uma maneira diferente, ele nos tornava ainda mais apaixonados pela terra do frio. Cal\u00e7a Lee, fusca com tala larga, cuba libre, Creedence, Poleiro, toca fita TKR cara preta, Candelabro, Carrasc\u00e3o\u2026 saudades. O tempo \u00e9 foda, de repente tudo foi ontem, um passado que insistimos em guardar. Acho at\u00e9 que \u00e9 uma maneira que encontramos de chorar sem que ningu\u00e9m veja. Agora eu sei o que o poeta Erathostenes Menezes sentiu quando comparou uma \u00e1rvore que fez parte de sua adolesc\u00eancia a ele.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A boate mais famosa do interior da Bahia, n\u00e3o temos d\u00favidas, foi o Carrasc\u00e3o, nada que se pode comparar. 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