{"id":22402,"date":"2020-06-09T01:37:44","date_gmt":"2020-06-09T04:37:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=22402"},"modified":"2020-06-09T01:37:44","modified_gmt":"2020-06-09T04:37:44","slug":"volta-pra-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2020\/06\/09\/volta-pra-casa\/","title":{"rendered":"Volta pra casa"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A.jpeg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-22403\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A-300x300.jpeg\"  alt=\"241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/241FCAD4-959F-44FB-A462-95F293C7658A.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"s1\">Por Val\u00e9ria Figueira<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Todas as vezes em que eu chego em Conquista, quando j\u00e1 estou perto da ro\u00e7a, toca um forrozinho. Vale atentar que forrozinhos s\u00e3o aqueles dos quais temos intimidade. Dos que costum\u00e1vamos ouvir de c\u00e1 da fogueira quando crian\u00e7a, enquanto solt\u00e1vamos traques, e depois quando sa\u00edamos procurando as festas dos povoados vizinhos, pois os de Conquista n\u00e3o prestavam. S\u00f3 valiam aqueles em que era poss\u00edvel ouvir o arrasta p\u00e9 no ch\u00e3o. Lembro-me tanto que era desfeita fazer escolha, se aceitasse dan\u00e7ar com um tinha que dan\u00e7ar com todos, e eu sempre estava disposta. Geralmente o cavalheiro estendia a m\u00e3o na sua frente, e j\u00e1 chegava dan\u00e7ando, mas nada de grude, nada de perguntar o nome ou pedir o telefone. Era pra dan\u00e7ar, ou viver aquelas m\u00fasicas, de prefer\u00eancia com puladinhos, dois pra l\u00e1 e dois pra c\u00e1.<\/span><span class=\"s1\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Vinha ent\u00e3o na estrada com uma saudade da minha m\u00e3e, do meu pai, da minha tia Leu, da minha terra. Nesses tempos sombrios ent\u00e3o, voltar pra casa era mais que um chamado.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">No r\u00e1dio a trilha dos forrozinhos que eu s\u00f3 ou\u00e7o aqui. M\u00fasicas que retratam o modo de viver nordestino, os nossos costumes, e o amor pelo sert\u00e3o. O rei do bai\u00e3o Luiz Gonzaga foi a maior express\u00e3o desse estilo. Entre as quase trezentas can\u00e7\u00f5es que ele comp\u00f4s, uma foi especialmente reservada pra meu caminho da ro\u00e7a essa semana. <\/span><span class=\"s2\">Respeita Janu\u00e1rio<\/span><span class=\"s1\">, de 1952. Eu ouvi o prel\u00fadio com tanto deleite, sorvendo cada intens\u00e3o, que precisei transcrev\u00ea-la, de presente de S\u00e3o Jo\u00e3o para voc\u00eas. Trata-se de um v\u00eddeo intitulado \u201cVolta pra casa\u201d de 1982, em que Luiz relata o seu retorno pra casa dos pais um povoado perto de Exu, interior de Pernambuco, depois de dezesseis anos. Ele conta:<\/span><span class=\"s1\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">(&#8230;) A\u00ed eu cheguei na janela da casa e gritei:<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Louvado seja o nosso senhor Jesus Cristo!<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Para sempre seja Deus louvado!<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Sr. Janu\u00e1rio?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Sim senhor.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Estou vindo do Rio de Janeiro, trago um recado do fio do senhor, mandou at\u00e9 uma coisinha pra but\u00e1 na sua m\u00e3o&#8230; Quando vier de l\u00e1 traga um copo d\u2019\u00e1gua pra eu que eu t\u00f4 morrendo de sede. A\u00ed eu escutei o tibungado do caneco no fundo do pote, tibungo, haha. Ai l\u00e1 veio o v\u00e9io corredor afora, abriu a janela em cima de mim, chega saiu aquele ventinho, com aquele cheiro, aquele cheiro meu, aquele cheiro antigo&#8230; Cabecinha branca, \u00a0um silenciozinho, uma paradinha, me olhou, eu olhei pra ele. A\u00ed ele disse:<\/span><span class=\"s1\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Quem \u00e9 o Senhor?<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Luiz Gonzaga, seu filho!<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">&#8211; Oxente, isso \u00e9 hora de voc\u00ea chegar em casa seu corno? Santana, Gonzaga chegou! Eita, viva Deus!!!<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s2\">Menino como o diabo, irm\u00e3o que eu n\u00e3o conhecia&#8230; A\u00ed pronto, entrei, ningu\u00e9m dormiu mais naquela noite, at\u00e9 de manh\u00e3 a casa cheia&#8230; &#8211; Toca Luiz, toca pra n\u00f3is ver!!!<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Em poucos minutos era eu quem chegava. Bradei, saindo do carro: <\/span><span class=\"s2\">&#8211; Mainha, chegamos, gra\u00e7as a Deus!<\/span><span class=\"s1\"> Ela veio de l\u00e1 bem dizendo: <\/span><span class=\"s2\">&#8211; Aleluia, gl\u00f3ria a Deus!!<\/span><span class=\"s1\"> Em voz alta, mesmo que ver Janu\u00e1rio. De c\u00e1 avistei a fogueira, pronta pro dia 23. N\u00e3o vamos poder receber os amigos, nem o pessoal do povoado, nem vai ter conjunto. N\u00e3o vai ter viagem pras festas com milhares de pessoas, tampouco bandas enormes tocando os \u201cforronejos\u201d e suas varia\u00e7\u00f5es, nas alturas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Mas vai ter quent\u00e3o no fog\u00e3o de lenha, mainha falou. Eu vou enfeitar a casa, assar biscoitos, e vai ter foguete. Na caixa de som, vai ter o melhor sanfoneiro que esse planeta j\u00e1 viu, o mestre porta v\u00f3s de todos n\u00f3s, Luiz Gonzaga. Se sorte eu tiver, ainda vai ter um c\u00e9u estrelado, a\u00ed ent\u00e3o eu vou voltar a ter um S\u00e3o Jo\u00e3o daqueles.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">V\u00eddeo do Luiz dispon\u00edvel em:<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LyboUoD3Qhg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Val\u00e9ria Figueira Todas as vezes em que eu chego em Conquista, quando j\u00e1 estou perto da ro\u00e7a, toca um forrozinho. Vale atentar que forrozinhos s\u00e3o aqueles dos quais temos intimidade. 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