{"id":21965,"date":"2020-05-05T00:05:56","date_gmt":"2020-05-05T03:05:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=21965"},"modified":"2020-05-04T23:17:04","modified_gmt":"2020-05-05T02:17:04","slug":"eu-me-lembro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2020\/05\/05\/eu-me-lembro-2\/","title":{"rendered":"Eu me lembro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SAVE_20200421_173826.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-21809\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SAVE_20200421_173826-300x300.jpg\"  alt=\"Edvaldo\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SAVE_20200421_173826-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SAVE_20200421_173826-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SAVE_20200421_173826.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Edvaldo Paulo de Araujo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menino de nove anos de idade, ano de 1964. O Brasil vivia o momento do golpe militar. Arrumam suas poucas roupas humildes, simples, todas feitas pela m\u00e3e, algumas de ultima hora e se prepara para ir estudar na cidade grande. \u00c9 forte a curiosidade ao novo, os medos, a apreens\u00e3o de viver na casa alheia. Lembra de uma pequena viagem, que foram t\u00e3o poucas na sua vida e se recorda da falta que sentiu da sua casa e do que rodeava esta humilde morada. S\u00f3 em pensar j\u00e1 come\u00e7a a sentir saudade do seu cavalo, dos animais de estima\u00e7\u00e3o, do jogo de futebol no campinho com os amigos no final da tarde.De joelhos numa cadeira olhava pela janela os campos, as florestas,a pequena e t\u00e3o querida Veredinha. Duvidas e as palavras do seu pai e sua m\u00e3e quanto ao futuro, quanto \u00e0 estrada que ele tinha que percorrer. N\u00e3o era f\u00e1cil despedir do afeto dos seus.<br \/>\nAo longe vislumbra o veiculo ca\u00e7amba, que o transportaria para a cidade onde iria estudar. As ultimas recomenda\u00e7\u00f5es da m\u00e3e Nede e do pai Chico. <!--more-->A ben\u00e7\u00e3o e o abra\u00e7o apertado, complementado com a voz embargada de Da Nede dizendo: \u201cDeus te aben\u00e7oe e te guarde meu filho\u201d.As lagrimas corria em seu rosto pequeno,nunca tinha vivido um minuto sequer sem a sua fam\u00edlia,sem a liberdade da fazenda, sem a sua casa,sem a sua cama companheira de olhares para o teto, sonhando acordado.<br \/>\nA voz do pai chamou aten\u00e7\u00e3o pela chegado do caminh\u00e3o. Da Nede segurou em sua m\u00e3o e percorreu o caminho at\u00e9 o ve\u00edculo e mesmo com pouca distancia, foi dif\u00edcil esse percurso. Subiu na ca\u00e7amba que logo partiu. Ficou olhando at\u00e9 a imagem da sua m\u00e3e ser encoberta pela montanha.A pergunta sem resposta n\u00e3o calava na sua mente, porque tenho que ir?Por qu\u00ea?Nem a curiosidade de morar num lugar cheio de gente, com novidades, cinema, carros, lojas, n\u00e3o conseguia tirar o pensamento do rosto cheio de lagrimas da sua m\u00e3e.<br \/>\nAbaixou dentro da ca\u00e7amba, pois o vento frio era intenso, segurando na sacola com suas coisas, recostou num canto, sentia frio, mas o frio maior era sentido pelo seu cora\u00e7\u00e3o triste. Que frio intenso sentiu no seu corpo e sua alma .A tristeza aumentava corroborado pelo triste crep\u00fasculo.<br \/>\nAo entardecer chegaram \u00e0 cidade, suas luzes nos postes come\u00e7ava a acenderem pouco a pouco, clareando, o carro percorria neste emaranhado de ruas at\u00e9 chegar numa casa da frente azul e parar. Ajudaram-no a descer da ca\u00e7amba e foi recebido pela sua tia madrinha, primos, e logo estava arranchado e ouvindo dos meninos suas historias dos filmes da matine. San\u00e7\u00e3o, Dalila, Tarzan, Xita, R\u00f4mulo e Remo, percorriam aquele ambiente infantil, sem nada entender e \u00e0s vezes ouvia certo deboche por ele daquilo nada conhecer. Naquele momento de despedida e chegada, tudo aquilo que era dito em nada o atraia, pois o seu cora\u00e7\u00e3o estava dolorido da despedida e seu pensamento ainda estava na sua casa em Veredinha. Ah!Meu Deus, quem iria tirar leite amanh\u00e3 em \u201cpintadinha\u201d? Quem iria buscar no pasto o meu cavalo \u201carisco\u201d?Quem iria escov\u00e1-lo, lev\u00e1-lo ao a\u00e7ude e dar-lhe o merecido banho? Quem jogaria no terreiro as raspas e milho para as galinhas se misturarem com os passarinhos e comerem?Quem iria ao final da tarde apartar os pequenos bezerros das vacas para tirar o leite pela manh\u00e3?\u00b4Recostou a sua cabe\u00e7a no travesseiro de palha e deixou as lagrimas rolarem, pois naquele momento a voz do seu pai sobre o futuro o levou a ter consci\u00eancia que n\u00e3o voltaria jamais, essa era a grande dor! Lembrou fortemente do seu pai, das suas recomenda\u00e7\u00f5es, do seu jeito, das ca\u00e7adas com ele, acompanhando-o. Lembrou das suas observa\u00e7\u00f5es sobre criar passarinhos em gaiola, nunca jamais admitiu isso e ca\u00e7ar o que n\u00e3o fosse para comer.A ca\u00e7ada tinha data e seu tempo, nunca na procria\u00e7\u00e3o de determinados animais.Meu pai sabia quando ia chover.Francisco Paulo, seu pai, sabia quando seria um ano dif\u00edcil, quando ter\u00edamos que transportar a cavalo o gado para outras paragens e l\u00e1 dar de beber e comer.Meu pai sabia quando seria preciso reunir as \u201cbenditas\u201d mulheres para rezar,fazer prociss\u00e3o,carregar as latas vazias na cabe\u00e7a, cantar os cantos sem autor por aquelas paragens para pedir ao senhor do mundo que fizesse chover.A chuva na medida certa \u00e9 o canto das florestas e das planta\u00e7\u00f5es dizia seu Chico.<br \/>\nOs dias passavam, conheci a minha nova escola, minha professora, depois t\u00e3o querida, meus colegas, o maravilhoso cinema, o carnava,l enfim uma nova forma de viver. Maior que tudo isso era a vontade de voltar pra casa, para a nossa pequena e t\u00e3o amada fazendinha. Ao deitar a noite, pensava em seus irm\u00e3os, em seu pai e sua amada e querida m\u00e3e Da. Nede. Sonhava em acordar com o cantar do galo, com os passarinhos em festa, com a sua m\u00e3e com aquela voz t\u00e3o doce a chamar o seu nome. A imagem lhe vinha, dando a m\u00e3o num pedido de ben\u00e7\u00e3o, recebendo o beijo e abra\u00e7o e os sagrados dizeres \u201cdeus te aben\u00e7oe meu filho! Deus te proteja sempre.\u201d<br \/>\nA f\u00e9rias estava perto, contava minutos, horas, dias, parecia que o tempo n\u00e3o passava. A apreens\u00e3o do seu cora\u00e7\u00e3o o fazia pensar que iria sufoc\u00e1-lo.<br \/>\nChegou o grande dia! Iria voltar, ia pra casa, ia ficar junto dos seus, ia para o lugar que era onde estava a felicidade. Dentro do \u00f4nibus olhava os campos t\u00e3o conhecidos, a cada lugar que passava, dizia pra si mesmo est\u00e1 perto, est\u00e1 perto, finalmente no alto descortinava a sua querida veredinha e no lado esquerdo estava a sua casa, como se algu\u00e9m tivesse avisado, todos estavam na porta. O \u00f4nibus da Santo Elias parou,as pernas tremiam, o cora\u00e7\u00e3o parecia que iria sair da boca, desceu e esperou o \u00f4nibus sair da frente e atravessou a estrada.Todos corriam em sua dire\u00e7\u00e3o, jogando suas coisas no ch\u00e3o disparou em dire\u00e7\u00e3o aos seus que o abra\u00e7aram como nunca&#8230;..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu cheguei em frente ao port\u00e3o<br \/>\nMeu cachorro me sorriu latindo<br \/>\nMinhas malas coloquei no ch\u00e3o<br \/>\nEu voltei!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo estava igual<br \/>\nComo era antes<br \/>\nQuase nada se modificou<br \/>\nAcho que s\u00f3 eu mesmo mudei<br \/>\nE voltei!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu voltei!<br \/>\nAgora pr\u00e1 ficar<br \/>\nPorque aqui!<br \/>\nAqui \u00e9 meu lugar<br \/>\nEu voltei pr&#8217;as coisas<br \/>\nQue eu deixei<br \/>\nEu voltei!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui abrindo a porta devagar<br \/>\nMas deixei a luz<br \/>\nEntrar primeiro<br \/>\nTodo meu passado iluminei<br \/>\nE entrei!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu retrato ainda na parede<br \/>\nMeio amarelado pelo tempo<br \/>\nComo a perguntar<br \/>\nPor onde andei?<br \/>\nE eu falei!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde andei!<br \/>\nN\u00e3o deu para ficar<br \/>\nPorque aqui!<br \/>\nAqui \u00e9 meu lugar<br \/>\nEu voltei!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pr&#8217;as coisas que eu deixei<br \/>\nEu voltei!&#8230;<br \/>\nSem saber depois de tanto tempo<br \/>\nSe havia algu\u00e9m a minha espera<br \/>\nE parei!&#8230;<br \/>\nQuando vi que dois bra\u00e7os abertos<br \/>\nMe abra\u00e7aram como antigamente<br \/>\nTanto quis dizer e n\u00e3o falei<br \/>\nE chorei!&#8230;<br \/>\nEu voltei!<br \/>\nAgora pr\u00e1 ficar<br \/>\nPorque aqui!<br \/>\nAqui \u00e9 o meu lugar<br \/>\nEu voltei!<br \/>\nPr&#8217;as coisas que eu deixei<br \/>\nEu voltei!..(2x)<br \/>\nEu parei em frente ao port\u00e3o<br \/>\nMeu cachorro me sorriu latindo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Roberto Carlos e Eramos Carlos<br \/>\nO PORT\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONTINUA&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto \u00e9 dedicado a Veredinha e aos meus pais Francisco Paulo dos Santos e Enedina Ara\u00fajo dos Santos, que foram para o outro lado da vida de m\u00e3os dadas. Meu pai e minha m\u00e3e, exemplo de vida, os amo muito e um dia trocaremos de novo aquele abra\u00e7o da volta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Edvaldo Paulo de Araujo Menino de nove anos de idade, ano de 1964. O Brasil vivia o momento do golpe militar. 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