{"id":21806,"date":"2020-04-21T17:29:21","date_gmt":"2020-04-21T20:29:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=21806"},"modified":"2020-04-21T17:29:21","modified_gmt":"2020-04-21T20:29:21","slug":"a-dialetica-da-malandragem-na-politica-interiorana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2020\/04\/21\/a-dialetica-da-malandragem-na-politica-interiorana\/","title":{"rendered":"A dial\u00e9tica da malandragem na pol\u00edtica interiorana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/imagem-box-de-assinatura-J-Rodrigues-Vieira-Agito-Geral-.png\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21652\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/imagem-box-de-assinatura-J-Rodrigues-Vieira-Agito-Geral-.png\"  alt=\"imagem box de assinatura J Rodrigues Vieira Agito Geral\" width=\"231\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/imagem-box-de-assinatura-J-Rodrigues-Vieira-Agito-Geral-.png 231w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/imagem-box-de-assinatura-J-Rodrigues-Vieira-Agito-Geral--150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* Por J Rodrigues Vieira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de observar participando de umas tantas campanhas eleitorais, noto: qualquer coisa que represente uma quebra de paradigma na pol\u00edtica interiorana, quando n\u00e3o desacreditada e derrotada em seu desejo de nascer, deixa-se ser cooptada pela velha tradi\u00e7\u00e3o que, anos ap\u00f3s anos, se repete numa f\u00f3rmula que mant\u00e9m frequ\u00eancias que se repetem de elei\u00e7\u00e3o em elei\u00e7\u00e3o: a dial\u00e9tica da malandragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda estrutura pol\u00edtica interiorana se desenvolve na linguagem do senso comum. Essa linguagem f\u00e1cil e corrompida, serve apenas para perpetuar interesses nada coletivos de uns poucos que preservam um aparente status de poder sobre coisas e pessoas: pequenos grupos, geralmente consociados entre os que det\u00e9m melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e, medianos conhecimentos intelectuais, que se re\u00fanem em torno de interesses, meramente de perspectivas pessoais e produzem uma rede de \u201cdizquedizque\u201d para convencer os mais desafortunados e menos informados.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A frequ\u00eancia habitual da pol\u00edtica eleitoral interiorana, geralmente se desenrola numa linguagem esportiva de competi\u00e7\u00e3o, com mensagens gritadas e desafiadoras, como poderemos notar no debate descrito no livro de Fernando Sabino, O Grande Mentecapto, quando o locutor cerimoniara um debate insuflando o p\u00fablico em pra\u00e7a p\u00fablica, praticando uma pol\u00edtica extremamente emocional e aleg\u00f3rica, onde quase nada se nota de concep\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Essa \u00e9 a frequ\u00eancia do malandro de interior: figuras que adquire certas percep\u00e7\u00f5es dos acontecimentos e se p\u00f5em \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos candidatos, se tornando cabos eleitorais de esquina, pontas de ruas e botecos barulhentos na dimens\u00e3o pol\u00edtica em tempo e espa\u00e7o. Uns poucos deles, se filiam a um partido pol\u00edtico e saem candidatos \u00e0 vereador. Quando se elegem, se tornam ambiciosos, pegam os macetes da coisa e se perpetuam nas c\u00e2maras municipais. Digo isso, por conta de se notar frequentemente, nas cidades pequenas, decanos de seguidos mandatos. No entanto, por\u00e9m, em suas aventuras parlamentares, se observam pouqu\u00edssimos projetos e feitos p\u00fablicos. Muitas vezes, o cargo eletivo de vereador no interior, passa ser uma profiss\u00e3o. Talvez, seja o malandro da pol\u00edtica do interior, o esp\u00edrito de sua trag\u00e9dia social. Quase sempre, sem compreens\u00e3o sociol\u00f3gica, tais malandros, se posicionam de acordo aos acordos que mant\u00e9m seus acordos na rela\u00e7\u00e3o com seus eleitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um vereador de uma pequena cidade me contou o que fez para conseguir se reeleger numa certa ocasi\u00e3o que n\u00e3o estava bem avaliado no eleitorado: ap\u00f3s sair da \u00fanica ag\u00eancia banc\u00e1ria da cidade, levando duas malas pretas 007, fez quest\u00e3o de ser notado ao cruzar uma das pra\u00e7as da cidade e entrar na casa da sogra. Aquela situa\u00e7\u00e3o chamou aten\u00e7\u00e3o de alguns populares curiosos que passaram a se reunir nas proximidades da resid\u00eancia. Momento esperado para o in\u00edcio da trama: enquanto um sujeito ventilou o boato que o candidato estava distribuindo dinheiro; outro foi ao f\u00f3rum e denunciou um suposto crime eleitoral. Resultado, quando as autoridades judiciais chegaram ao local, encontraram apenas duas malas cheias de propagandas. Sem nada ter a fazer, enfezados, os oficiais deixaram a casa da sogra do tal candidato. Ele ent\u00e3o, tratou de concluir a jogada: reuniu os curiosos, para na maior normalidade dizer que, realmente, tinha uma grande quantidade de notas para distribuir aos precisados, mas, como eles pr\u00f3prios haviam visto, a justi\u00e7a apreendera o dinheiro por conta de uma den\u00fancia de seus advers\u00e1rios canalhas. A hist\u00f3ria se espalhou dando conta que o candidato estava disposto a doar seus poucos recursos para ajudar os mais pobres. Comovidos e crentes, os eleitores lhe deram uma vota\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, tanto que, nas elei\u00e7\u00f5es seguintes foi al\u00e7ado a condi\u00e7\u00e3o de vice-prefeito do munic\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro sujeito, teve o grau de coragem de se internar num hospital p\u00fablico, fingindo-se doente para operacionalizar sua campanha recebendo visitas e mantando ora\u00e7\u00f5es no p\u00e9 de seu leito de enfermo, numa ala reservada exclusivamente para a trama \u2014 e deu certo \u2014, veio a ser o mais votado nas elei\u00e7\u00f5es proporcionais. O interessante aqui, \u00e9 o fato dos respons\u00e1veis pelo equipamento p\u00fablico: prefeito, secret\u00e1rio, diretor do hospital e, at\u00e9 de m\u00e9dicos e enfermeiros terem participado da farsa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevi esse artigo quase liter\u00e1rio, por conta de uma conversa que tive com um jovem estudante de Direito que, como todo universit\u00e1rio iniciante, maravilhado e, um tanto soberbo, praticamente, me sabatinou com teorias e teoremas sacando da mem\u00f3ria, pensamentos de velhos defuntos europeus. Mas, afinal, o que \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o do Direito na sociedade? \u00c9 t\u00e3o imagin\u00e1ria quanto ao malandro. Esse jogo j\u00e1 se faz na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei portugu\u00eas, quando ele solicita a soltura de seu genro, que estava preso por assalto a uma igreja e agress\u00e3o a um padre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pol\u00edtica eleitoral interiorana \u00e9 um ambiente perfeito para que o malandro usufrua das boas coisas da vida sem precisar da formalidade exaustiva dos conhecimentos de ordem te\u00f3rica. No entanto, por\u00e9m, deixando de lado o falso moralismo, n\u00e3o podemos deixar de notar na dial\u00e9tica da malandragem, a experiencia comum da viv\u00eancia. Quem n\u00e3o se lembra do personagem popular Jo\u00e3o Grilo no Alto da Compadecida, de Ariano Suassuna, que se utiliza da ast\u00facia para conseguir sobreviver. Imagine agora com a expans\u00e3o das redes sociais online e a profus\u00e3o de websites e blogues, onde qualquer pessoa pode construir as mais variadas narrativas acerca dos acontecimentos numa linguagem ainda pior: a mem\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>**J Rodrigues Vieira<\/strong> \u00e9 ficcionista, membro da UBE \u2013 Uni\u00e3o Brasileira de Escritores.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Por J Rodrigues Vieira Depois de observar participando de umas tantas campanhas eleitorais, noto: qualquer coisa que represente uma quebra de paradigma na pol\u00edtica interiorana, quando n\u00e3o desacreditada e derrotada em seu desejo de nascer, deixa-se ser cooptada pela velha tradi\u00e7\u00e3o que, anos ap\u00f3s anos, se repete numa f\u00f3rmula que mant\u00e9m frequ\u00eancias que se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":21652,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[821,819,7,1281],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21806"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21806"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21807,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21806\/revisions\/21807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}