{"id":2179,"date":"2016-03-18T10:53:53","date_gmt":"2016-03-18T13:53:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=2179"},"modified":"2016-03-19T08:35:42","modified_gmt":"2016-03-19T11:35:42","slug":"lulancamon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2016\/03\/18\/lulancamon\/","title":{"rendered":"Lulanc\u00e2mon"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/i.imgur.com\/yeD6bg2.jpg\" alt=\"7 conto\" width=\"542\" height=\"67\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2121\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg\"  alt=\"delegado valdir barbosa\" width=\"600\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg 600w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Valdir Barbosa*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos quase imemoriais, no velho Egito, sarc\u00f3fagos feitos de madeira impermeabilizada e at\u00e9 de ouro maci\u00e7o se prestavam a guardar, entre pertences, corpos de Fara\u00f3s. Tutanc\u00e2mon, falecido por prov\u00e1vel em 1.324 A.C. foi encerrado numa sepultura que tr\u00e1s grande significado hist\u00f3rico, posto estava praticamente intacta ao ser aberta, nela foram encontradas preciosidades diversas.<br \/>\nPequenas esculturas de metal, em forma de m\u00famia representando encarregados de servir ao falecido no al\u00e9m seguiram com o corpo de Tut, todavia \u00e9 sabido, diversos soberanos da antiguidade partiam \u00e0 ultima morada e eram sepultados na mesma catacumba, com escravos, sacerdotes, parentes pr\u00f3ximos incumbidos de continuar servindo ao senhor, da forma como faziam enquanto em vida, a exemplo do Rei Djer que teria sido enterrado com 318 pessoas.<br \/>\nNot\u00edcia dos derradeiros dias me fez viajar nos labirintos das pir\u00e2mides e nos sarc\u00f3fagos das figuras pertencentes \u00e0s realezas daquelas \u00e9pocas t\u00e3o distantes. Pude rememorar a expedi\u00e7\u00e3o do arque\u00f3logo Howard Carter que em 1922 encontrou a tumba intacta de Tutanc\u00e2mon, em seu ata\u00fade dourado, ao lado de joias, objetos pessoais, ornamentos, vasos, esculturas e armas.<br \/>\nMontado nas facilidades da tecnologia contempor\u00e2nea revi nuances de um tempo, em que aos soberanos tudo era permitido, inclusive, levar consigo para o tumulo, al\u00e9m de bens materiais, seres humanos, por entender serem todas as coisas que os cercava, propriedade exclusiva inapart\u00e1vel. Na convic\u00e7\u00e3o da vida ap\u00f3s esta vida deveriam continuar sendo, objetos, homens e mulheres, servid\u00f5es suas no al\u00e9m.<!--more--><br \/>\nFalando acerca de tanto tempo sumido \u00e9 de afirmar, o tempo voou, desde quando fara\u00f3s eram sepultados no Vale dos Reis e suas asas encontraram pensadores gregos, da lavra de Plat\u00e3o: \u201cBoas pessoas n\u00e3o precisam de leis para agir responsavelmente, enquanto as pessoas ruins encontrar\u00e3o um modo de contornar as leis\u201d; e levitou no per\u00edodo onde a humanidade encontrou seu grande divisor de \u00e1guas, o Mestre dos Mestres, mensageiro das ep\u00edstolas simples, contudo, repletas da mais severa profundidade, do tipo: \u201cQue aproveita um homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a pr\u00f3pria vida?\u201d; e gravitou nos pensadores da idade m\u00e9dia assistindo Maquiavel pregar: \u201cNenhum ind\u00edcio melhor se pode ter a respeito de um homem do que a companhia que frequenta\u201d; e testemunhou, no iluminismo, Voltaire asseverando: \u201cOs reis s\u00e3o para os seus ministros como os cornudos para as esposas: nunca sabem o que se passa\u201d; e viajou ao s\u00e9culo XX ouvindo John Kennedy dizer: \u201cCoragem \u00e9 manter a classe sob press\u00e3o\u201d.<br \/>\nFinalmente, em mar\u00e7o do ano que flui, este mesmo tempo testemunha Luis In\u00e1cio vociferar: \u201cSe quiseram matar a jararaca, n\u00e3o fizeram direito, pois n\u00e3o bateram na cabe\u00e7a, bateram no rabo, porque a jararaca est\u00e1 viva&#8221; e responder ao Delegado que o interrogou, sobre os objetos retirados do Pal\u00e1cio, quando deixou a presid\u00eancia, ter sido responsabilidade de D. Marisa, a ex- primeira dama do pa\u00eds, o destino dado as \u201ctralhas\u201d conduzidas em onze caminh\u00f5es, transportadas e acomodadas num deposito em S\u00e3o Bernardo, servi\u00e7o pago pela empreiteira OAS.<br \/>\nAl\u00e9m destes \u201ctrecos\u201d, autoridades encontraram custodiadas num cofre do Banco do Brasil, sob a guarda da mulher de Lula e filho, 23 caixas contendo objetos diversos, classificados como joias e obras de arte. Medalhas, moedas, comendas, espadas, adagas, e at\u00e9 uma escultura de Cristo Crucificado retirada da sala onde despacharam Presidentes anteriores.<br \/>\nN\u00e3o se pode ainda condenar o cidad\u00e3o Lu\u00eds In\u00e1cio, pelos delitos que motivam investiga\u00e7\u00f5es correntes contra ele, mesmo especialista em investiga\u00e7\u00e3o, me obrigo a dizer, apesar das numerosas evidencias apontadas pelo MP Federal em seu desfavor, apenas e t\u00e3o somente a Justi\u00e7a poder\u00e1 determinar sua culpabilidade.<br \/>\nCreio at\u00e9, por seus m\u00e9ritos e como resultado do fruto de seu trabalho, sobretudo \u00e0 frente da na\u00e7\u00e3o oito anos seguidos, onde, por direito, qualquer mandat\u00e1rio tem acesso a benesses sem custo algum, na cama, mesa, banho, seguran\u00e7a, sa\u00fade e outras poderia ter em seu nome, apartamento, sitio, mas mora, veraneia, viaja, desde longa data, de favor.<br \/>\nIntriga-me, entretanto, que destino pretendia dar ao tesouro guardado. N\u00e3o poderia us\u00e1-los, do contr\u00e1rio, valiosas pe\u00e7as decorativas, obras de arte embaladas h\u00e1 anos estariam adornando seus abrigos, mesmo emprestados e n\u00e3o poderia vend\u00ea-los, objetos deste jaez carecem de declara\u00e7\u00e3o da origem.<br \/>\nNa era dos fara\u00f3s seria cr\u00edvel acreditar que as posses terrenas deveriam ser usadas no plano seguinte, a cultura da \u00e9poca justificava ditos procedimentos, mas, um plebeu contempor\u00e2neo, a quem o cosmos deu direito e oportunidade de progredir praticando o bem, a quem fez rei de um povo que acreditou nas promessas de posturas \u00e9ticas, morais e legais, me parece imponder\u00e1vel agir com tamanha falta de lucidez.<br \/>\nPermito-me encontrar explica\u00e7\u00e3o para tudo isto e crente na reencarna\u00e7\u00e3o, imagino a \u00fanica sa\u00edda plaus\u00edvel. Milhares de anos depois, o esp\u00edrito de um fara\u00f3 se apossou do corpo daquele que, por tal motivo poder\u00edamos chamar Lulanc\u00e2mon. Periga, chegada a hora que um dia vir\u00e1 a todos n\u00f3s, haver deixado ordem de levar tamb\u00e9m \u00e0 sua catacumba, todo o s\u00e9quito que insiste em acompanh\u00e1-lo.<br \/>\nDeus me perdoe, mas, confesso, esta n\u00e3o seria m\u00e1 ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*<strong>Valdir Barbosa<\/strong> \u00e9 Delegado de Pol\u00edcia, ex-Delegado Geral da Bahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Valdir Barbosa* Em tempos quase imemoriais, no velho Egito, sarc\u00f3fagos feitos de madeira impermeabilizada e at\u00e9 de ouro maci\u00e7o se prestavam a guardar, entre pertences, corpos de Fara\u00f3s. 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