{"id":18400,"date":"2019-08-18T16:58:35","date_gmt":"2019-08-18T19:58:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=18400"},"modified":"2019-08-18T16:58:35","modified_gmt":"2019-08-18T19:58:35","slug":"aelio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2019\/08\/18\/aelio\/","title":{"rendered":"A\u00c9LIO"},"content":{"rendered":"<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2121\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa-300x199.jpg\"  alt=\"delegado valdir barbosa\" width=\"400\" height=\"265\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/delegado-valdir-barbosa.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><b>Por Valdir Barbosa<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Talvez fosse ele o menor, em estatura, dos Tavares da Mota, muito embora, a envergadura moral de alto coturno fosse caracter\u00edstica sua como de resto, dos filhos e filhas todos, de Dona de Doralice e Seu Jo\u00e3o Batista, casal vindo do estado de Sergipe que aportou nas terras frias do sudoeste baiano, onde ambos fizeram hist\u00f3ria, nos trilhos de honestidade, retid\u00e3o e esfor\u00e7o, exemplos do bem seguidos pelos seus descendentes.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Ainda engatinhava como Delegado de Pol\u00edcia, lotado em Itapetinga, quando pude conhecer dita figura, no crep\u00fasculo dos anos setenta, pois passei a visitar com assiduidade Vit\u00f3ria da Conquista, na esteira da atividade exercida, mas, principalmente, fisgado pelos anz\u00f3is das amizades que pude construir ali e pelos amores que enredaram meu destino nas alterosas baianas, sitio que veio se tornar minha segunda urbe, vez que, soteropolitano de nascimento, consoante j\u00e1 afirmei em outras oportunidades.<\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">N\u00e3o lembro o ponto exato onde pude conhecer pela vez primeira, a figura de quem tratam estas linhas. Pode ter sido no Lindoia, ao sabor do tradicional coquinho, no Candelabro, nas noitadas do Carrasc\u00e3o, Cabana, Cafezal, nas tardes do Taquara, no terra\u00e7o do Hotel Alian\u00e7a, onde j\u00e1 pontuava o profissionalismo de An\u00edbal como \u201cchef\u201d por demais qualificado, no Varand\u00e1, no Casar\u00e3o do velho Jaime, casa dos acepipes de D. Elza &#8211; charutos, quibes, homus, kaftas, tabules e outras iguarias da culin\u00e1ria \u00e1rabe &#8211; que encantavam a todos, no restaurante de Dalva, defronte a uma galinha de molho pardo, o cozido das quartas feiras, ou a tradicional feijoada do s\u00e1bado &#8211; cujo panel\u00e3o certo dia foi furtado numa madrugada, delito que n\u00e3o consegui desvendar -, bem como nas casas tolerantes das luzes vermelhas nos p\u00f3rticos, sa\u00eddas do Magasapo, por fim postadas no prolongamento do Gancho, pr\u00f3ximo a Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Falo de A\u00e9lio Tavares da Mota.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Decerto, por\u00e9m, incont\u00e1veis vezes privei da sua companhia e, al\u00e9m de t\u00ea-lo feito nos cantos indicados, dentre outros, fi-lo no tradicional Aerobar, do idiossincr\u00e1sico Nilton, um dos seus irm\u00e3os, figura folcl\u00f3rica da su\u00ed\u00e7a baiana. Naquele tempo, o estabelecimento efervescia na esquina da Rua Ascendino Melo, conflu\u00eancia com a Rotary Clube e, ao cair das tardes, bem como nos fins de semana, pl\u00eaiade de ilustres conquistenses esquentavam o peito, a bordo das doses de caipirinha, cerveja e wisky leg\u00edtimo, acompanhados por saborosos past\u00e9is, quibes, al\u00e9m da carne de sol farofada, do conhecido Pacheco, a famosa \u201ccesta do povo\u201d, esta, receita mais recente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Atualmente, o estabelecimento atende seu p\u00fablico fidelizado, na casa onde residia o propriet\u00e1rio, im\u00f3vel cont\u00edguo ao antigo bar tornado um mix de comercio e morada, destarte, dita circunstancia imp\u00f5e ainda mais, a todos os frequentadores dali, reflexos dos humores alternados do dono. De bem com a vida, casa cheia, ao contr\u00e1rio resmungos, cr\u00edticas \u00e1cidas e at\u00e9 \u201ccart\u00e3o vermelho\u201d, sem livrar a cara de senhor ningu\u00e9m. Inspirado nele, constru\u00ed o personagem, Nilson, dono de bodega em \u201cBlackmontaindistrict\u201d, encravado nas bandas de \u201cIsnlancyty\u201d, assim como o fiz em rela\u00e7\u00e3o a um dos grandes frequentadores do lugar, o saudoso Jo\u00e3o Machado Cafezeiro, no livro Surfando em Pipelines, este, dentro do romance, o guarda livros Jota Malhado.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Todo o proleg\u00f4meno se presta a falar da passagem do car\u00edssimo A\u00e9lio. Na madrugada desta sexta feira tratou de desencarnar, justo no canto onde serviu por d\u00e9cadas, uma das propriedades de Gianno Brito, filho de Flavio Brito, expoentes do agroneg\u00f3cio na regi\u00e3o, pessoas a quem ofereceu pr\u00e9stimos, anos a fio, com extremosa dedica\u00e7\u00e3o. Como uma vela soprada pelo vento do destino c\u00f3smico apagou, nas bandas de Machado Mineiro, rodeado pelo cafezal a quem tratou dedicadamente.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Baixo, por\u00e9m de boa complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica dizem que na juventude, bom de bola, dono de potente chute, atuante na ponta direita. Fala mansa, gestos finos, educado, gentil, trabalhador incans\u00e1vel sabia, entretanto, curtir suas horas de folga junto a todos quantos amava. Sempre, nos tempos atuais, aos s\u00e1bados e domingos era poss\u00edvel encontr\u00e1-lo no bar do irm\u00e3o Nilton, ao lado da companheira que o abra\u00e7ou nestes anos findos, Elodir, a sorrir baixinho embalado nos assuntos todos que povoam ditos ambientes e v\u00ea-lo sair meio tropego, sob efeito dos goles levando seu carro embora, numa marcha bem lenta. Foi desta forma e neste cen\u00e1rio que o vi pela derradeira vez, quando trocamos o \u00faltimo aperto de m\u00e3o que costumava ser demorado, no calor dos efl\u00favios et\u00edlicos, a comprimir repetidamente seus dedos sobre os meus.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">N\u00e3o pude conduzi-lo a ultima morada. Por ironia do destino deixei a cidade, de volta para Salvador, exatamente na quinta que antecedeu a madrugada de sua partida. Envolvido na saudade cuido de prestar esta simples homenagem, a um homem simples que muitas vezes fez valer, com sua presen\u00e7a ao meu lado, tantos instantes que se tornaram memor\u00e1veis, em face da sua companhia. Nos momentos necess\u00e1rios recebi de sua parte apoios irrestritos, reconhecimento das minhas labutas, incentivo aos meus prop\u00f3sitos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Dos muitos presentes que recebi de Aelio lembro as incont\u00e1veis vezes que levou Chico Viola, Israel Jos\u00e9 Silveira, o rei da voz conquistense, qui\u00e7\u00e1 um dos seus maiores amigos, a tiracolo, para cantar como um rouxinol e alegrar nossas horas id\u00edlicas, at\u00e9 quando as cordas vocais do menestrel o tornavam quase mudo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Hoje cedo, quando o sol ainda n\u00e3o havia ainda espargido seus primeiros raios e uma densa chuva molhava o ch\u00e3o de Salvador lavando a Pra\u00e7a do Campo Grande, envolvido no torpor da madorna que precede o despertar completo, penso ter ouvido a voz poderosa de Chico derramando os versos: \u201cSerra da boa esperan\u00e7a, esperan\u00e7a que encerra, no cora\u00e7\u00e3o do Brasil um punhado de terra, no cora\u00e7\u00e3o de quem vai, no cora\u00e7\u00e3o de quem vem, serra da boa esperan\u00e7a meu ultimo bem; parto levando saudades, saudades deixando, murchas ca\u00eddas na serra&#8230;\u201d. Percebi a melodia at\u00e9 o ultimo solfejo: \u201c&#8230; hei de guardar sua imagem l\u00e1 perto de Deus. oh! minha serra eis a hora do adeus, vou-me embora, deixo a luz do olhar no teu luar, adeus.\u201d Ent\u00e3o pude perceber que algu\u00e9m, do lado do cantor sorria um sorriso rouco.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">N\u00e3o tive d\u00favidas, estavam juntos outra vez.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Abra\u00e7os amigos, dia destes estaremos de novo ombreados.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Valdir Barbosa Talvez fosse ele o menor, em estatura, dos Tavares da Mota, muito embora, a envergadura moral de alto coturno fosse caracter\u00edstica sua como de resto, dos filhos e filhas todos, de Dona de Doralice e Seu Jo\u00e3o Batista, casal vindo do estado de Sergipe que aportou nas terras frias do sudoeste baiano, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2121,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[821,819,7,1267],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18400"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18400"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18400\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18401,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18400\/revisions\/18401"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18400"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18400"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18400"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}