{"id":1765,"date":"2016-02-25T00:00:57","date_gmt":"2016-02-25T03:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=1765"},"modified":"2016-02-27T21:31:34","modified_gmt":"2016-02-28T00:31:34","slug":"os-filhos-esquecerao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2016\/02\/25\/os-filhos-esquecerao\/","title":{"rendered":"Os filhos esquecer\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" name=\"zenite\" src=\"http:\/\/www.vitoriadaconquistanoticias.com.br\/543x152_zenite_201601.htm\" frameborder=0 width=\"543\" height=\"152\" scrolling=\"No\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" ><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/14.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1766\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/14.jpg\"  alt=\"1\" width=\"601\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/14.jpg 885w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/14-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo, pouco a pouco, me liberar\u00e1 da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem repouso. Das m\u00e3os gordinhas que n\u00e3o param de me agarrar, que me escalam pelas costas, que me pegam, que me buscam sem cuidados, nem vacilos. Do peso que enche meus bra\u00e7os e curva minhas costas. Das vezes que me chamam e n\u00e3o permitem atrasos nem esperas.<!--more--><br \/>\nO tempo me devolver\u00e1 a folga aos domingos e as chamadas sem interrup\u00e7\u00f5es, o privil\u00e9gio e o medo da solid\u00e3o. Acelerar\u00e1, talvez, o peso da responsabilidade que as vezes me aperta o diafragma. O tempo, certamente e inexoravelmente esfriar\u00e1 outra vez a minha cama, que agora est\u00e1 aquecida de corpos pequenos e respira\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas. Esvaziar\u00e1 os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrol\u00e1vel. Tirar\u00e1 de seus l\u00e1bios meu nome gritado e cantado, chorado e pronunciado cem mil vezes ao dia. Cancelar\u00e1, pouco a pouco ou de repente, a familiaridade de sua pele com a minha, a confian\u00e7a absoluta que nos faz um corpo \u00fanico, com o mesmo cheiro, acostumados a mesclar nossos estados de \u00e2nimo, o espa\u00e7o, o ar que respiramos.<br \/>\nChegar\u00e3o a nos separar para sempre o pudor, a vergonha e o preconceito, a consci\u00eancia adulta de nossas diferen\u00e7as. Como um rio que escava seu leito, o tempo perigar\u00e1 a confian\u00e7a que seus olhos t\u00eam em mim, como ser onipotente, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o inconsert\u00e1vel e curar o incur\u00e1vel. Deixar\u00e3o de me pedir ajuda, porque j\u00e1 n\u00e3o acreditam mais que em algum caso eu possa salv\u00e1-los. Parar\u00e3o de me imitar, porque n\u00e3o desejar\u00e3o parecer-se muito a mim. Deixar\u00e3o de preferir minha companhia em compara\u00e7\u00e3o com os demais (e vejo, isto tem que acontecer!)<br \/>\nSe esfuma\u00e7ar\u00e3o as paix\u00f5es, as birras e os ci\u00fames, o amor e o medo. Se apagar\u00e3o os ecos das risadas e das can\u00e7\u00f5es, as sonecas e os &#8220;era uma vez&#8230; acabar\u00e3o de repercutir na escurid\u00e3o. Com o passar do tempo, meus filhos descobrir\u00e3o que tenho muitos defeitos e se eu tiver sorte, me perdoar\u00e3o por alguns deles.<br \/>\nS\u00e1bio e c\u00ednico, o tempo trar\u00e1 consigo o obvio.<br \/>\nEles esquecer\u00e3o, mas ainda assim eu n\u00e3o esquecerei. As cosquinhas e os &#8220;corre-corre&#8221;, os beijos nos olhos e os choros que de repente param com um abra\u00e7o, as viagens e as brincadeiras, as caminhadas e a febre alta, as festas, as papinhas, as car\u00edcias enquanto adormec\u00edamos lentamente.<br \/>\nMeus filhos esquecer\u00e3o que os amamentei, que os balancei durante horas, que os levei nos bra\u00e7os e \u00e1s vezes pelas m\u00e3os. Que dei de comer e consolei, que os levantei depois de cem ca\u00eddas. Esquecer\u00e3o que dormiram sobre meu peito de dia e de noite, que houve um dia que me necessitaram tanto, como o ar que respiram. Esquecer\u00e3o, porque \u00e9 assim mesmo, porque isto \u00e9 o que o tempo escolhe. E eu, eu terei que aprender a lembrar de tudo para eles, com ternura e sem arrependimentos, incondicionalmente. E que o tempo, astuto e indiferente, seja am\u00e1vel com estes pais que n\u00e3o querem esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor desconhecido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo, pouco a pouco, me liberar\u00e1 da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem repouso. Das m\u00e3os gordinhas que n\u00e3o param de me agarrar, que me escalam pelas costas, que me pegam, que me buscam sem cuidados, nem vacilos. 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