{"id":12517,"date":"2018-05-07T10:18:34","date_gmt":"2018-05-07T13:18:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=12517"},"modified":"2018-05-07T10:19:03","modified_gmt":"2018-05-07T13:19:03","slug":"vinganca-postuma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2018\/05\/07\/vinganca-postuma\/","title":{"rendered":"Vingan\u00e7a P\u00f3stuma"},"content":{"rendered":"<p class=\"s3\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\"  alt=\"nando da costa lima\" width=\"500\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"s3\" style=\"text-align: justify;\"><b>Por Nando da Costa Lima<\/b><\/p>\n<p class=\"s3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">Tudo foi por causa daquela<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> maldita mania por jogo, tanto eu como o compadre <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">\u00e9ramos doentes por jogo, qualquer tipo de jogo, do bicho ao carteado era com a gente mesmo. Eu j\u00e1 beirando os cinquenta, solteiro e com a vida mais ou menos arrumada. O compadre j\u00e1 tinha quase sessenta, nove filhos dos quais batizei sete. Me arrependi de ter dado uma caderneta de poupan\u00e7a ao primeiro, depois disso parece que a comadre s\u00f3 paria <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">pra<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">ganhar caderneta! Um dia n\u00f3s mandamos fazer duas fotos nossas bem grandes e apostamos que quem ficasse mais bonito n\u00e3o pagava nada. Eu perdi, quem fez o julgamento foi a comadre e os meninos. Esse retrato at\u00e9 hoje me persegue, n\u00e3o o meu, o dele! \u00c9 uma foto do compadre feio que s\u00f3 ele mesmo, e com aquela cara fechada que lhe <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">era\u00a0<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">natural. As pequenas apostas eram normais no nosso cotidiano, o que mudou tudo foi um bilhete da loteria federal<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">.<\/span><\/span><!--more--><\/p>\n<p class=\"s3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> Como eu j\u00e1 disse n\u00f3s \u00e9ramos unha e carne, tudo que acontecia com um o outro era o primeiro a saber. Um dia ele chegou em meu armaz\u00e9m todo diferente, eu desconfiei que tinha alguma coisa importante acontecendo e fui logo perguntando qual era o problema. Ele se abriu como se estivesse se livrando de um peso, tinha comprado um bilhete de loteria e o n\u00famero tinha <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">dado<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">tava<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> l\u00e1 no primeiro pr\u00eamio segundo ele! Fomos direto <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">pra<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> sua casa pegar o bilhete, no caminho eu j\u00e1 comecei a imaginar coisa ruim, fiquei ainda mais entusiasmado quando ele disse que s\u00f3 n\u00f3s sab\u00edamos do pr\u00eamio, s\u00f3 iria contar para os parentes quando estivesse com a grana na m\u00e3o, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">nem pra mulher falou, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">s\u00f3 falou pra mim por considera\u00e7\u00e3o. O compadre <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">tava<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> cheio de pinga e passou mais de duas horas me elogiando, enquanto ele elogiava eu bolava um plano pra passar a m\u00e3o naquele bilhete, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">tava<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> cheio daquela vidinha, mais de dez anos marcando passo naquele fim de mundo, passava o dia vendendo p\u00e3o e pinga fiado e sonhando em um dia ganhar um pr\u00eamio milion\u00e1rio e agora a sorte tira um fino em mim e esbarra no meu melhor amigo, que logo <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">logo<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> me esqueceria. \u00c9 sempre assim, no in\u00edcio tudo bem, depois eles d\u00e3o um jeito de sumir <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">pra<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">gastar o dinheiro longe dos amigos de mis\u00e9ria.<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> Esse pensamento foi fundamental pra que eu convidasse o compadre pra pegar aquele atalho que passava pelo riacho das \u00e9guas. O resto foi f\u00e1cil, ele <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">tava<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> t\u00e3o b\u00eabado que nem sentiu a primeira <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">pedrada<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">, caiu pronto, s\u00f3 dei mais oito pra confirmar. Depois foi s\u00f3 procurar o bilhete nos bolsos, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">achei<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> na carteira, a realiza\u00e7\u00e3o dos meus sonhos, dobradinho, n\u00e3o dava nem <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">pra<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> sentir<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> remorso! S\u00f3 pensava no pr\u00eamio, o n\u00famero <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">tava<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> decorado \u201c21 502\u201d. Fui at\u00e9 o riacho que cortava<\/span><\/span> <span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">o dito atalho, lavei o sangue que espirrou no meu rosto e corri direto pra Caixa. Pra n\u00e3o levantar suspeita atravessei a cidade fazendo festa, espalhei pelos quatro cantos que tinha tirado a sorte grande. Quando entrei no banco j\u00e1 tinha uns vintes puxa-sacos atr\u00e1s de mim. Quando o respons\u00e1vel por pr\u00eamios lot\u00e9ricos me falou \u00e0s gargalhadas que aquele bilhete n\u00e3o tinha nada a ver com o n\u00famero premiado eu quase ca\u00ed de costas, pior foi a vaia que levei da sa\u00edda do banco at\u00e9 a entrada da minha casa. Mas as coisas complicaram <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">mesmo depois que acharam o corpo do compadre<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">t\u00e1<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> certo que eu j\u00e1 imaginava que as suspeitas iriam cair em cima de mim, mas rico com o dinheiro do pr\u00eamio, aquilo ficaria logo pra tr\u00e1s, duro j\u00e1 ficava dif\u00edcil explicar pro delegado onde estive na hora do crime. Noventa por cento da cidade suspeitava de mim, passei altos apertos! S\u00f3 n\u00e3o fui em cana porque a comadre, cuja feiura s\u00f3 era superada pela safadeza, <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">tava<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> de olho em mim <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">h\u00e1 muito tempo <\/span><\/span><a name=\"_GoBack\"><\/a><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">e jurou de p\u00e9 junto que eu tinha passado a noite do crime aos p\u00e9s da cama de um dos afilhados que ard<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">ia<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> em febre. Depois disso n\u00e3o me restou outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser assumir aquele \u201cbagulho\u201d e os nove filhos. Hoje, eu al\u00e9m de suportar esse \u201cbucho\u201d e os meninos, virei objeto de goza\u00e7\u00e3o na cidade, o povo notou meu eterno estado de des\u00e2nimo e inventou que o finado compadre fez tudo isso de prop\u00f3sito, h\u00e1 muito tempo ele vinha pensando em se matar e n\u00e3o tinha coragem. Segundo o povo, ele aproveitou a minha usura e inventou aquela hist\u00f3ria de bilhete premiado. N\u00e3o sei se isto \u00e9 verdade ou se eu estou ficando louco com o <\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\">converseiro<\/span><\/span><span class=\"s4\"><span class=\"bumpedFont15\"> do pessoal, mas toda hora que entro em minha casa que antes era a tranquila morada de um solteir\u00e3o e hoje se v\u00ea ocupada por essa \u201cmocreia\u201d e seus nove capetas, eu sinto que a foto do compadre, aquela da aposta, d\u00e1 uma risada que mostra at\u00e9 o dente de ouro.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nando da Costa Lima Tudo foi por causa daquela maldita mania por jogo, tanto eu como o compadre \u00e9ramos doentes por jogo, qualquer tipo de jogo, do bicho ao carteado era com a gente mesmo. Eu j\u00e1 beirando os cinquenta, solteiro e com a vida mais ou menos arrumada. 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