{"id":11029,"date":"2018-01-13T06:00:43","date_gmt":"2018-01-13T09:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=11029"},"modified":"2018-01-12T23:14:35","modified_gmt":"2018-01-13T02:14:35","slug":"pescando-piranhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2018\/01\/13\/pescando-piranhas\/","title":{"rendered":"Pescando piranhas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\"  alt=\"nando da costa lima\" width=\"400\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por Nando da Costa Lima<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nEram amigos h\u00e1 mais de trinta anos, todos na faixa dos sessenta, apesar de divergirem em v\u00e1rios pontos e serem profissionais em \u00e1reas diferentes, tinham algo em comum: eram fan\u00e1ticos por pescaria e adoravam piranhas (dos dois tipos). Todo final de ano tinham um programa que era sagrado, deixavam as esposas em casa e ficavam um m\u00eas na beira do rio S\u00e3o Francisco, era o mesmo que estar no c\u00e9u. A pescaria do grupo era famosa na cidade, eles levavam de tudo: fog\u00e3o, geladeira, cozinheiro, enfermeiro. Eram dois caminh\u00f5es carregados de mordomias, mas o melhor que eles levavam eram as putas, estas eram escolhidas a dedo no decorrer dos dois mil quil\u00f4metros percorridos do lugar onde moravam at\u00e9 o local da pescaria. Passavam por uma meia d\u00fazia de cidades, s\u00f3 entravam nos bregas pra fazer a sele\u00e7\u00e3o, e continuavam a viagem. Quando chegavam ao local da pescaria a festa era geral, o pessoal j\u00e1 sabia que era um m\u00eas de festa, tudo do melhor, comida, bebida e principalmente mulher bonita e safada. Os nativos passavam bem, os pescadores de fim de ano dividiam tudo com eles, e olha que era um m\u00eas de orgia. Uma vida que todo mundo deseja! A volta era sempre triste, mas levavam na bagagem recorda\u00e7\u00f5es para o resto do ano.<br \/>\nTeve um ano que a coisa foi diferente. Aconteceu que as mulheres leg\u00edtimas resolveram acompanhar os maridos na t\u00e3o famosa pescaria, e resolveram de \u00faltima hora, n\u00e3o deu nem tempo deles arrumarem uma desculpa e desistirem, o jeito foi encarar e ver no que dava. A viagem foi a mais mon\u00f3tona feita pelo grupo, parecia que n\u00e3o tinha fim, n\u00e3o pararam em lugar nenhum. Quando chegaram o povoado estava vazio, os nativos estavam todos na colheita que iria terminar quatro dias depois. Eles mesmos tiveram que ir armar as barracas na beira da praia, quando terminaram j\u00e1 tinham acontecido tr\u00eas brigas com amea\u00e7a de separa\u00e7\u00e3o, no segundo dia tinham cinco madames de \u00f3culos escuros para esconderem o olho roxo. No terceiro, a mulher de seu Pedro, uma jamanta com mais de cento e vinte quilos, deu tanta porrada no coitado que quebrou a cara toda, s\u00f3 n\u00e3o matou porque os amigos interferiram. As coisas corriam mal, parecia uma guerra, e pra completar uma das senhoras se limpou com ortiga: derrubou metade do acampamento arrastando a bunda no ch\u00e3o. Nesse mesmo dia eles resolveram embriagar-se para relaxar, o ambiente tava muito tenso. Viraram a noite bebendo, e no outro dia, todos completamente b\u00eabados, come\u00e7aram a gozar da cara de seu Pedro pela surra que havia levado da mulher. Este pra se vingar bateu nas costas do amigo que estava mais pr\u00f3ximo e perguntou: \u201cAn\u00edbal, por que voc\u00ea nunca traz a bichona do seu filho para pescar?\u201d. <!--more-->Foi direto no calo do parceiro. Marcos, o que estava mais s\u00f3brio da turma, tentou contornar a situa\u00e7\u00e3o argumentando em favor de An\u00edbal: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o deveria falar assim, o filho de An\u00edbal \u00e9 um rapaz inteligente, j\u00e1 cursou belas artes, dan\u00e7a, teatro\u201d. Seu Pedro n\u00e3o se convenceu e continuou ofendendo: \u201cVoc\u00ea se esqueceu de falar que ele tamb\u00e9m \u00e9 diplomado em corte costura e croch\u00ea. Al\u00e9m disso, nos fins de semana ele s\u00f3 sai de saia\u201d. Marcos voltou a defender o rapaz, a saia era apenas uma forma de preservar o costume do seu povo, a bisav\u00f3 do rapaz era cunhada de um escoc\u00eas. Seu Pedro rebateu: \u201cEscoc\u00eas usa saiote quadriculado, mei\u00e3o e sapato, e o menino de An\u00edbal usa minissaia de cetim rosa, meias finas e sapato alto\u201d. Marcos fez a \u00faltima tentativa para reconciliar os amigos, explicou que a mudan\u00e7a do modelo do traje escoc\u00eas era uma quest\u00e3o de aclimata\u00e7\u00e3o. O rapaz n\u00e3o poderia usar um traje t\u00e3o quente num pa\u00eds tropical. Seu Pedro j\u00e1 completamente desnorteado de vodca balan\u00e7ou a cabe\u00e7a e disse: \u201cVoc\u00ea parece que tamb\u00e9m \u00e9 entendido!\u201d. Quando acabou de falar levou uma porrada no meio da testa e caiu sentado dentro da fogueira, a coisa ia ficar feia se o pessoal n\u00e3o socorresse, o ambiente tava t\u00e3o pesado que ficou resolvido que eles voltariam naquele mesmo dia (4\u00ba dia), ap\u00f3s um almo\u00e7o de reconcilia\u00e7\u00e3o. As mulheres estavam de mai\u00f4 para suportarem o calor, quando o caminh\u00e3o que trazia o pessoal de volta da colheita parou perto do grupo de pescadores. Um dos nativos, depois de olhar para as senhoras comentou aos gritos: \u201cPesso\u00e1, n\u00e3o vale a pena nem n\u00f3is descer, os dot\u00f4 esse ano s\u00f3 trouxe puta velha e gorda, olha l\u00e1 proceis ver, nunca vi tanta mui\u00e9 buchuda reunida, a melhor que tem n\u00e3o presta nem pra isca de jacar\u00e9\u201d.<br \/>\nDepois dessa, n\u00e3o houve clima pra reconcilia\u00e7\u00e3o, e o almo\u00e7o foi uma surra conjunta dada pelas senhoras, elas exageraram. Al\u00e9m de quebrarem as varas de pesca nos lombos dos maridos, os obrigaram a engolirem os anz\u00f3is.<br \/>\nE assim se dissolveu o grupo de pesca mais antigo do interior mineiro.<\/p>\n<p>Aos amigos de Arax\u00e1&#8230;, duma \u00e9poca em que brinc\u00e1vamos de viver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nando da Costa Lima Eram amigos h\u00e1 mais de trinta anos, todos na faixa dos sessenta, apesar de divergirem em v\u00e1rios pontos e serem profissionais em \u00e1reas diferentes, tinham algo em comum: eram fan\u00e1ticos por pescaria e adoravam piranhas (dos dois tipos). 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