{"id":10920,"date":"2017-12-30T08:00:32","date_gmt":"2017-12-30T11:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=10920"},"modified":"2017-12-29T23:37:09","modified_gmt":"2017-12-30T02:37:09","slug":"reveillon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2017\/12\/30\/reveillon\/","title":{"rendered":"R\u00e9veillon"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\"  alt=\"nando da costa lima\" width=\"400\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por Nando da Costa Lima<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa estava como sempre foi em reuni\u00e3o de fim de ano. As mulheres de um lado exibiam as joias e distribu\u00edam simpatia, as mais extrovertidas exibiam os conhecimentos gerais! Do outro lado os homens, todos com ares de donos do mundo discutindo a crise econ\u00f4mica, todos com um plano infal\u00edvel! O cheiro de perfume \u201cfranc\u00eas\u201d combinava com o \u201cwhisky\u201d servido. Todo aquele material falsificado entrava em harmonia com a falsidade das pessoas. Formava um clima t\u00e3o artificial que parecia encena\u00e7\u00e3o! A coisa tava t\u00e3o feia que at\u00e9 os enfeites de fim de ano desejando felicidades eram em ingl\u00eas, e todos os convidados estavam usando chapeuzinhos de papel daqueles que a gente pensa que s\u00f3 tem em r\u00e9veillon de americano.<br \/>\nWellington Jr., filho pr\u00f3digo do casal anfitri\u00e3o tinha acabado de chegar de uma temporada de 6 meses nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, estava a antipatia em pessoa, s\u00f3 falava em ingl\u00eas e sentia dificuldades em entender o portugu\u00eas. Dayse, a filha mais velha, contava seu dia na faculdade de psicologia, e como toda futura psic\u00f3loga, estava apaixonada por Freud, tinha uma explica\u00e7\u00e3o freudiana para tudo, inclusive para sua tara por adolescentes e seu h\u00e1bito de nunca usar calcinha. Uma madame ficou entusiasmada com as ideias da futura psic\u00f3loga e resolveu imit\u00e1-la ali mesmo. Tirou sem a menor cerim\u00f4nia e lan\u00e7ou no meio da sala aquela \u201cca\u00e7ola\u201d imensa, era verde oliva, parecia uma barraca de escoteiro. Mas todas as outras, inclusive o decorador Kiko Saint\u2019 Paula Star vindo de Jequi\u00e9 especialmente para decorar a festa, acharam chi-quer-r\u00ed-ma a atitude da madame Laurinha. At\u00e9 aplaudiram! Mas isto n\u00e3o vem ao caso, o importante \u00e9 a festa: a anfitri\u00e3 fazia quest\u00e3o de reclamar dos empregados da casa em frente aos convidados. N\u00e3o sei porque a maioria delas agem assim, d\u00e3o ordens como verdadeiras rainhas medievais: parece que acham \u201cchic\u201d serem grossas.<!--more--><br \/>\nO dono da casa que apesar de s\u00f3 ter feito o curso de administra\u00e7\u00e3o por correspond\u00eancia, tinha tanto dinheiro que virou Doutor \u2013 e infeliz de quem n\u00e3o usasse o Dr. antes de falar o nome. A roda de amigos era toda ouvidos, afinal ele era o mais rico deles! E nessas reuni\u00f5es a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 dispensada de acordo com a situa\u00e7\u00e3o financeira, restando aos menos privilegiados apenas escutar, concordar e dar tapinhas nas costas, quando d\u00e3o opini\u00e3o \u00e9 a favor de algu\u00e9m. Tinha tudo com fartura, era at\u00e9 um exagero tanta comida, mas n\u00e3o tinha problema, se estragasse eles mandavam distribuir para os pobres. A caridade era um bem comum ao casal, tanto era que no Natal eles deram a um orfanato uma ceia completa: O Dr. suspeitou que estava envenenada e pra n\u00e3o jogar fora doou. Pra sorte dos \u00f3rf\u00e3os s\u00f3 foi suspeita!<br \/>\nAs conversas eram animadas em todas as rodinhas! Deu meia noite, o anfitri\u00e3o estourou a primeira garrafa de espumante nacional com r\u00f3tulo de champanhe franc\u00eas, falou o pre\u00e7o da garrafa, ergueu a ta\u00e7a e desejou muita sa\u00fade para ganhar dinheiro, muita paz para gastar dinheiro, e que todos fossem felizes nos neg\u00f3cios, principalmente se fosse seu s\u00f3cio. O povo tava come\u00e7ando a ir embora, todo mundo que saia levava uma bandeja de lembran\u00e7a (comida) que dava pra se alimentar por uma semana, s\u00f3 faltava o resto do pessoal notar que tava na hora de ir embora pra festa terminar. De repente Seu Paulino, um velho beirando os cem anos olhou pro dono da casa e falou pausadamente (ele falava t\u00e3o pouco que todos pararam para ouvir): \u201cDr. d\u00e1 pro Sr. me arrumar um peda\u00e7o de cana?\u201d. O Dr. respondeu sorrindo que na ceia oferecida por ele tinha de tudo, menos cana. O velhinho insistiu: \u201cPede \u00e0 sua mulher, ela t\u00e1 l\u00e1 na garagem com o gar\u00e7om, e pelo barulho que est\u00e3o fazendo se n\u00e3o for chupando cana \u00e9 melhor o Sr. pegar o rev\u00f3lver&#8230; O Dr. quando viu a express\u00e3o de riso na cara do pessoal, n\u00e3o teve tempo de inventar outra desculpa. Bateu a m\u00e3o na testa e resmungou: \u201cJoana n\u00e3o perde a mania de chupar cana escondido\u201d. Depois dessa desculpa esfarrapada o r\u00e9veillon chegou ao fim, foi todo mundo pra casa comentar a novidade. Quanto ao Dr., apesar de seguir os padr\u00f5es de vida de americano de classe m\u00e9dia alta, resolveu o problema de uma maneira bem primitiva. Ele voltou \u00e0s origens e mandou dar uma surra de vergalho de boi e capar o safado do gar\u00e7om que se aproveitou da bebedeira daquela santa&#8230; \u201cAquele merdinha nunca mais vai mexer com mulher honesta\u201d.<br \/>\nUm feliz ano novo e que o seu r\u00e9veillon seja infinitamente melhor que o do Dr. deste causo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nando da Costa Lima A festa estava como sempre foi em reuni\u00e3o de fim de ano. As mulheres de um lado exibiam as joias e distribu\u00edam simpatia, as mais extrovertidas exibiam os conhecimentos gerais! 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