{"id":10678,"date":"2017-12-09T08:07:50","date_gmt":"2017-12-09T11:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/?p=10678"},"modified":"2017-12-09T08:07:50","modified_gmt":"2017-12-09T11:07:50","slug":"a-margem-da-historia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/2017\/12\/09\/a-margem-da-historia-2\/","title":{"rendered":"\u00c0 margem da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\" class=\"gallery_colorbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2596\" src=\"http:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg\"  alt=\"nando da costa lima\" width=\"400\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima.jpg 540w, https:\/\/www.blogdomassinha.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/nando-da-costa-lima-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>* Por Nando da Costa Lima<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povoado todo esperava a chegada do pr\u00edncipe, era coisa rara um nobre visitar aquelas paragens no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. O vig\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o se aguentava, ia completar seis horas que n\u00e3o tomava uma, estava s\u00f3brio at\u00e9 aquela hora, porque era o \u00fanico que tinha forma\u00e7\u00e3o pra receber uma figura t\u00e3o ilustre. O pr\u00edncipe atrasou 3 dias, quando chegou encontrou o padre pisando na bainha da batina, tava t\u00e3o b\u00eabado que o Vossa Majestade demorou cinco minutos pra sair, quando saiu foi acompanhado por uma chuveirada de cuspe que lavou o rosto do visitante. \u201cO bafo indicava que o vig\u00e1rio apreciava bebidas fortes&#8221;. Em seguida convidou Vossa Alteza para fazer um bacanal com umas \u00edndiazinhas que ele criava \u2014 A realeza ficou indignada, recusou-se energicamente \u2014 O padre ficou meio sem gra\u00e7a, fechou a cara. Mas quando o pr\u00edncipe, pra mostrar que estava irritado, colocou a m\u00e3o na cintura e come\u00e7ou a bater o p\u00e9, o reverendo animou-se e olhando pra bunda do nobre falou com cara de vitorioso \u2014 Se o caso de Vossa Alteza \u00e9 outro n\u00e3o tem problema, eu tamb\u00e9m tenho um &#8220;indi\u00e3o&#8221; s\u00f3 pra pagiar europeu em excurs\u00e3o. Aquilo foi o fim para o nobre visitante, nem quis ficar hospedado na casa daquele tarado, ficou t\u00e3o nervoso que fez uma carta pro governador esculhanbando com o padre, aqueles n\u00e3o eram modos de receber um estudioso. <!--more-->O pr\u00edncipe era bi\u00f3logo, um amante da natureza, estava estudando a fauna, a flora e os costumes dos \u00edndios do sudoeste baiano. Como a primeira recep\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi nada agrad\u00e1vel resolveu seguir viagem antes do tempo e acampar mais adiante. Andaram umas 40 l\u00e9guas. O nobre queria dist\u00e2ncia daquele cachaceiro degenerado, o religioso mais depravado que tinha conhecido na vida.<br \/>\nNo Arraial da Conquista as coisas foram piores que suportar a cacha\u00e7a do vig\u00e1rio do Povoado de Po\u00e7\u00f5es. S\u00f3 tinha desocupados espalhados pela \u00fanica rua, era impressionante a quantidade de butecos, devia ter um para cada habitante. Quando o pr\u00edncipe atravessou a rua grande, se abanando com um leque de penas de arara, mais de dez passaram a m\u00e3o em seu traseiro. Se sua guarda n\u00e3o interferisse ele teria sido atacado ali mesmo. Conseguiram tirar a realeza das m\u00e3os dos tarados e levaram-no pra uma fazenda nas proximidades do arraial, estas eram habitadas por pessoas educadas, s\u00f3 tinha gente boa, ele podia ficar \u00e0 vontade que todos iam entender que era coisa de estrangeiro. Aproveitou esse momento de tranquilidade e recome\u00e7ou seus estudos, catalogou milhares de esp\u00e9cies desconhecidas, estava encantado com a regi\u00e3o. Com o tempo ficou conhecido por todos os \u00edndios que ocupavam as matas, cada tribo tinha um jeito carinhoso de se dirigir a sua alteza. Os Mongoi\u00f3s, os mais po\u00e9ticos da selva, chamavam-no de &#8220;Borboleta do Al\u00e9m Mar&#8221;, os Imbor\u00e9s s\u00f3 o conheciam por &#8221;Franga Selvagem&#8221;, os Patax\u00f3s denoninaram-no de &#8220;Flor de Urucum&#8221;. Os Botocudos, os mais selvagens da regi\u00e3o conheciam-no por &#8220;C\u00fa de Mel\u201d. Ele fez amizade at\u00e9 com os arruaceiros da rua Grande, como seu nome era dif\u00edcil de pronunciar, eles apelidaram-no de &#8220;Fruita das Oropa&#8221;.<br \/>\nO pr\u00edncipe deu grande contribui\u00e7\u00e3o aos estudos de nossa fauna e flora, escreveu at\u00e9 um livro. Voltou para sua terra morrendo de saudade, partiu cheio de boas recorda\u00e7\u00f5es, tinha se acostumado com o povo da terra, chorou muito na despedida. Ficou t\u00e3o apaixonado por nossa terra e por nossa gente que s\u00f3 foi embora depois que encontrou uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para aliviar sua saudade: levou um \u00edndio Botucudo pra morar com ele na Europa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Por Nando da Costa Lima O povoado todo esperava a chegada do pr\u00edncipe, era coisa rara um nobre visitar aquelas paragens no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. 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