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seneca cicatriza

:: ‘Colunistas’

No Berço do Paraquedas

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

O avião todo mundo sabe quem inventou foi Santos Dumont em 1906. E quase todo mundo sabe que por ver sua invenção, criada para encurtar distâncias, sendo usada para tirar vidas humanas na Primeira Grande Guerra, que ele se matou. O que quase ninguém sabe é que o Paraquedas foi inventado antes do avião, e este fato histórico ocorreu aqui em Conquista antes da virada do século. Nossa Conquista ainda era menina…  A igreja ficava abaixo da atual Catedral. Nossas matas eram tão densas que uma única árvore encontrada no Bem-Querer, serviu para todo emadeiramento da igreja. Estaconstruída em 1806 e demolida em 1932. Ali eram feitas as reuniões dos homens que comandavam a terra. Era um sobrado de dois andares, só que dois andares em uma construção do século XIX correspondiam a uns quatro andares atuais. As reuniões eram feitas na parte de cima, e graças a isso nossa terra tem o orgulho de ser a mãe do inventor do paraquedas. É que a coisa estava tão feia na Câmara, para variar, tinha um querendo mandar mais que o outro. Isso fez com que fosse marcada uma sessão extraordinária. Essa ocorreu sobre grande tensão, e mesmo antes de realizada gerou grandes transtornos na cidade. Um dos representantes do povo falou na Praça que se não se resolvesse a situação através do diálogo resolveria no porrete. Isso levou o Presidente da Câmara a providenciar dezesseis porretes antecipadamente (um para cada vereador) que ficaram à disposição caso o argumento falhasse. Aquela sessão estava sendo esperada por toda a cidade, todo mundo sabia que o pau ia quebrar. O vigário, sabendo disso, inventou uma viagem a Poções para não ser intermediário daquele bate boca. Enquanto o vigário arrumava a mala, os vereadores se preparavam para o debate e os moradores apostavam. Quem daria a primeira cacetada? Aquilo era o início do desenrolar de um grande fato histórico que passou despercebido à humanidade. Talvez porque na época não tivesse avião, mas se fosse uns cinquenta anos mais pra diante sem dúvida chamaria a atenção do mundo. Conquista perdeu este espaço na história devido a uma questão de tempo. :: LEIA MAIS »

O domador

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Aconteceu num revéillon…

Corinto Pranchão queria receber seus convidados do mesmo jeito que os “quatrocentões” paulistas recebiam antigamente. Ele passou a vida perseguindo a fortuna, só conseguiu aos 45 anos ao se casar com Marineide, vinte anos mais velha.Estavam aproveitando o fim de ano pra comemorar o primeiro ano de casamento, tudo tinha de ser de primeira. Até o peru veio dos States! O caviar russo e o champanhe francês faziam o maior contraste ao mau gosto da decoração da casa. Gerôncio foi o primeiro a chegar na recepção, encostou na mesa de comidas e mandou ver. Aproveitou que não tinha ninguém olhando e comeu como se estivesse em casa, lembrava um porco em cima de um cocho de ração. Só saiu dali quando a casa estava cheia, de longe ele enxergou Lina, tinha mais de um ano que tentava se aproximar daquela princesa. Até flores ele mandou, mesmo os amigos falando que aquilo não era coisa de homem, ele só estava ali porque sabia que ela viria. Tinha até decorado a prosa, como Lina era inteligente, ia falar de ecologia, política, música. Naquela noite querendo ou não ela ia ter que escutar seu papo de enciclopédia. :: LEIA MAIS »

SOLIDARIEDADE: A alegria de poder ajudar.

Tia Nem

Por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)

Ontem, uma amiga me falou que presenciou uma cena interessante: uma tartaruga ficou virada com o casco para baixo e as perninhas para o ar,  estava se mexendo muito, dificilmente ela voltaria à posição normal, sem ajuda. Foi aí que, a minha amiga,percebeu, uma outra tartaruga, chegando perto da que estava virada e, com esforço, conseguiu desvirar a companheira. A minha amiga, falou que queria ajudar, mas não interferiu, pois percebeu que ali, estava uma lição de solidariedade. E é uma grande verdade! No gesto da tartaruga amiga, podemos observar o desejo de ajudar. Assim é a solidariedade, é o desejo que temos, todos nós voluntários, de ajudar as pessoas que necessitam de apoio. Solidariedade, é a maneira que encontramos de estender a mão ao outro, colaborar com os que necessitam sem querermos nada em troca. Essas são as atitudes que revestem as pessoas solidárias, pessoas que se preocupam com o próximo.

Ser solidário é muito importante em uma sociedade tão desigual. Através da nossa ajuda, muitas necessidades são supridas e até para o solidário as coisas ficam bem melhores. No momento em que você ajuda ao seu semelhante, você começa a enxergar a sua própria existência. A solidariedade sempre fez parte das sociedades, é graças a várias pessoas, solidárias, que muita gente tem recebido ajuda, seja na educação, na habitação, alimentação, até mesmo na capacitação de profissionais, muitas empresas e seus gestores, tem ajudado a melhorar a qualidade de vida das pessoas, sem que recebam nada em troca. Todos os anos surgem campanhas, que são lançadas no intuito de ajudar famílias que perderam tudo no decorrer da sua vida e passam a necessitar da solidariedade das outras pessoas. E vemos que na maioria das vezes, essas campanhas faz sempre o maior sucesso frente à bondade dos doadores. Claro que não é todos que se preocupam com o próximo, pois existem alguns que somente se preocupam com seu próprio bem-estar, porém nem todos agem como essas pessoas. :: LEIA MAIS »

Brasil com “Z”

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Valdirene estava desolada, já estava virando piada na cidade. Era o quarto noivado rompido semanas antes do casamento! E era ela que terminava. Os noivos, coitados! Um tentou o suicídio, dois se perderam na pinga e um endoidou. Ela era o sonho de qualquer homem: bonita, rica e “inteligente”. Uma mulher além do seu tempo. Estava cansada do Brasil, principalmente dos homens brasileiros. Conquistense então, “nem pensar, que horror!”. A família tinha que mimar, era filha única de um casal que fazia qualquer coisa pra felicidade dela. Foram eles que tiveram a ideia de mandar Valdirene fazer uma viagem pelo mundo pra esquecer as contrariedades e aproveitar pra ver se finalmente encontrava sua alma gêmea no exterior. No Brasil, nunca mais! “Cambada de interesseiros!”.

Pra ela seria fácil, seu inglês e francês eram fluentes. Isso, naquele tempo (anos 60) era raridade numa cidade do interior. Valdirene acabou cedendo ao apelo dos pais e saiu em turnê pelo mundo, pra gastar um pouco da fortuna (cobiçadíssima) e tentar achar um homem à sua altura. Nessa época, a mulherada sonhava com um galã italiano, eu acho que foi por conta das músicas italianas que invadiram nossas rádios. Não tenho certeza! Vai ver os italianos eram realmente bons amantes. As primas, mesmo morrendo de inveja, não deixaram de fazer as famosas encomendas que quem viajasse para o exterior no passado tinha que trazer! Era um absurdo! Teve gente que encomendou até um piano! Quem fosse viajar, era melhor despistar. Mas todo mundo fazia questão de espalhar que ia fazer uma viagem internacional, era “chic” falar que estava indo para a Europa.

Valdirene foi de avião até a Itália, já foi pensando em passar um mês em Roma, e em seguida sairia num cruzeiro pelo mundo, de preferência com um “pão” italiano (“pão” era o “gato”, do tempo de Benedicts). Tudo estava correndo bem na Itália, ela patrocinou almoços, jantares, passeios. Sempre procurando se enturmar com os romanos mais abastados. Mas na realidade, nem precisava ser da elite ou rico. Ela estava querendo um italiano bonito pra levar para Brasil. Claro, ele iria como noivo, e se casariam na catedral da terra do frio. :: LEIA MAIS »

Simpatia é coisa séria

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Lucicler entrou porta adentro enfezada e procurando pela mãe. A velha tava retada, tinha tempo que queria falar umas “verdades” para a filha, que sempre chegava em casa se queixando da vida…

— Mamãe, eu estou numa meeerda.

— Minha filha, isso é jeito de chegar em casa… Isso atrai coisa ruim! Já basta seu noivo!

— Mas é a realidade, eu estou me sentindo a última das derradeiras.

— Você sabe o porquê, não é? Foi mexer com coisa errada.

— Claro que não, eu nunca fiz nada que não pudesse confessar…

— Ô minha filha, você tá caducando antes do tempo? Já esqueceu da simpatia pra pegar o merda do seu noivo?

— Que simpatia, mãe? Tá querendo botar mais “grilo” na minha cabeça?

— Aquela que Marileide de Averaldo Bom Cabelo lhe ensinou. Parece até que deu certo, você acabou se envolvendo com esse traste que se não fosse a minha aposentadoria, já teria morrido. E olha que ainda nem casou.

A senhora não perde uma chance pra implicar com o pobre do Teodolino, meu noivo. E ainda tá no tempo de acreditar em simpatia? Que coisa mais “retrô”! :: LEIA MAIS »

O Rei do Bode

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Da Choça até o Furado da Roseira, não tinha um criador que tivesse mais bode que Elpídio. Era o rei do bode, o solteirão mais cobiçado da caatinga! Elpidão arrasava, além de só andar bem vestido, tinha uma vistinha de ouro na dentadura, que acabava de matar a mulherada de paixão. Muitos tentavam imitá-lo, mas não chegavam nem aos pés, só ele com aquele palito no canto da boca e o dente de ouro à vista conseguia botar as meninas pra suspirar. Ter um caso com aquele “pão” (na época “pão” era o gato de hoje, e gato era sinônimo de ladrão) era o sonho da mulherada. Até mulher casada perdia as estribeiras quando ele passava no Corcel cor de abóbora com a jante roxa e luz interna de boate além dos pneus faixa branca e a frase escrita no para-choque traseiro: “100% macho”. O rei do bode tinha bom gosto, só comia filé a finas ervas acompanhadas do melhor vinho composto do mundo. E era um violeiro razoável, fazia questão de falar que aprendeu a tocar na beira do rio Gavião. Seu fraco eram as meninas de “Sompaulo”, tinham tudo com ele. Levava logo pro restaurante dormitório de Nilson. E a rotina de Elpídio era a mesma, quando não estava contando os bodes ou namorando, tava diante do espelho admirando a “lindreza” e falando pra mãe que se fosse mais novo ia tentar ser modelo em Conquista, modelo macho, daqueles que só faz propaganda de cigarro e bebidas fortes!

Mas nem tudo é pra sempre, principalmente beleza! O Rei do Bode de um dia pra outro começou a amarelar e perder peso. Os entendidos foram em cima: deve ser próstata. Desse dia em diante a vida dele virou um inferno. Já tinha batido em meia dúzia! Era só ouvir falar em toque retal que o homem endoidava. :: LEIA MAIS »

O homem é lobo do homem

Tia Nem

Por Maria Reis Gonçalves

Thomas Hobbes, filósofo inglês e, um dos fundadores da filosofia política, utilizou a frase em sua obra “De Cive” ( Do Cidadão), por estar vivendo em tempos conturbados para a coroa de seu país, e suas ideias estavam condizentes com o clima de incerteza que marcou aquele período. Essa frase, vem  martelando em minha cabeça há dias, desde que o Candidato a presidente do Brasil, o Capitão Reformado do Exercito, Jair Bolsonaro, recebeu uma facada, na cidade de Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais, em plena campanha política. Na frase, o autor tenta exprimir um comportamento antropológico característico do ser humano: a capacidade que temos de julgar e excluir todos aqueles que não fazem parte do nosso grupo, das nossas ideias, dos nossos anseios.

Esse comportamento abre caminhos para a violência contra todos aqueles que não fazem parte do nosso meio, seja social, seja político e, ao mesmo tempo nos obriga a buscar uma “paz” entre os nossos pares, que nos dê certa segurança, representada pelos ideais sociais ou políticas do grupo. No entanto, para Hobbes, o ser humano é incapaz de manter essa paz sem uma liderança forte e centralizadora, e se alguma outra pessoa, diferente ao meio, ousa ameaçar essa liderança, seria automaticamente rechaçada. Mesmo vivendo no século XVII, sua frase, ainda possui o dom de nos fazer refletir e continua atemporal. :: LEIA MAIS »

Valdir Barbosa fala sobre segurança pública

delegado valdir barbosa

Nosso blog propõe aos nossos leitores uma leitura leve e que propicie a todos informações que possam trazer benefícios, principalmente sobre o que acontece no cotidiano da nossa cidade.

Estamos as vésperas das eleições 2018, quando elegeremos o Presidente da República e também deputados federais e estaduais, além de senadores, e você,  naturalmente, está querendo definir o seu voto, daí resolvemos publicar no nosso veículo matérias sobre temas que estão na ordem do dia. Segurança é o primeiro assunto que trataremos aqui. Vejam, por exemplo, o que pensa o candidato a deputado estadual pelo PPS, Valdir Barbosa: :: LEIA MAIS »

Amores que matam!

Tia Nem

Por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)

Costumamos ouvir, de maneira geral, que o amor tem a capacidade de mover montanhas, e isso nos faz querer conhecer um amor que tenha competência para modificar o nosso mundo. No entanto, por mais que venhamos a analisar o amor, nunca poderemos defini-lo totalmente. Existem os amores que são uma tormenta e os que são um idílico sem fim, tudo vai depender da maneira que o casal se comporta diante do sentimento que começa a nutrir, um pelo outro.

Cada ser humano tem a sua própria ideia do que seja o amor, e infelizmente, nem sempre essas ideias são sadias, muitas são equivocadas, o que pode transformar o relacionamento em uma verdadeira armadilha perigosa, na qual a vida perde todo o sentido. No dia a dia, temos observado casos em que o amor é confundido com dependência, fazendo com que as relações fiquem tóxicas. Essa é a primeira demonstração que a pessoa tem a sua autoestima muito baixa e tende a acreditar que é preciso ir em busca de um amor fora de si mesmo, ainda que isso custe a sua dignidade.

No entanto existem relações recheadas de bom humor, alegres, dinâmica, bem movimentada. Claro que um casal, onde convivem juntos pessoas que foram criadas totalmente diferentes, vai surgir alguns conflitos, isso é natural, no entanto, esses conflitos terminam por divertir os dois, pois, são absorvidos como aprendizados e lições a não serem repetidas no futuro. Ao contrário dos amores trágicos, o relacionamento baseado no respeito, admiração, confiança e bom humor, leva o casal a usufruir momentos agradáveis e de grande durabilidade. :: LEIA MAIS »

Beco da Tesoura

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Foi aqui que se encontraram Íris Silveira, Erathostenes Menezes, Camillo de Jesus Lima e outros grandes poetas mateiros e caatingueiros. Todos matreiros!Nossa terra tem o hábito de abrigar grandes almas! Uma época brilhante da poesia conquistense: “Me solta gente, eu quero atravessar a fronteira…, este brado de Camilo explica tudo.

E o poeta, como sempre muito elegante, atravessou o Beco da Tesoura com muita pressa. Eros tava pensativo, tinha que arrumar um meio de ficar em Conquista, tinha bebido da água do Poço Escuro e se enraizado na terra dos Mongoiós. O Olimpo fez de tudo para resgatá-lo do meio dos mortais, mas sabia que era quase impossível, ele estava apaixonado pela poesia que emergia da Terra do Frio. Estava tão apaixonado por Conquista que só voltou ao velho mulungú da terra onde foi concebido para fazer sua última homenagem a um amigo cuja beleza ficou no passado! “Buscando a tua sombra / a evocar o passado / a ti eu me compara amigo abandonado / Tu já não temmais vida, e eu já não canto mais”. :: LEIA MAIS »

alessandro tibo
blog do marcelo


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