Tia Nem

Por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)

Não devemos nos incomodar com tudo o que nos desagrada, se isso acontecer, vamos passar todo o nosso tempo zangados, emburrados, chateados com o mundo. Pois, é muito difícil você passar todo o dia sem ouvir algo que o desagrade, sem dar de cara com uma pessoa mal educada, sem que nos frustremos com alguma coisa que não saiu como queríamos, com uma pessoa amiga que não agiu como estávamos esperando. Por isso, há uma grande necessidade que filtremos, com sabedoria, o que nos chega, para não ficarmos impregnados de coisas que não nos fazem bem. Ignorar certas situações, nos poupará de vários momentos ruins, tendo em vista que será inútil tentar argumentar com pessoas que não sabem ouvir, mas sabem condenar, julgar e até mesmo se fazerem de vitimas, para que possamos nos sentir culpados. Então, tenha cuidado com o que você tolera de certas pessoas, você estará ensinando-as como devem tratá-la.

Tem pessoas que vão continuar sendo como são, mesmo que você passe todo o tempo alertando-as, conversando, aconselhando, tentando orientar, mostrando que o que elas estão fazendo não é o certo. Elas estão sempre a maltratar alguém, a achar que o mundo tem obrigação de compensá-la, por alguma coisa e acha que vida não presta, simplesmente pelos fatos não acontecerem do jeito que ela quer. Se nega a entender que a vida é imprevisível. E começa a atacar quem está por perto, principalmente os amigos que tentam ajudá-las. Para essas pessoas a vida é um martírio, que só trás sofrimento e que todos tem culpa da situação que elas se encontram. Mesmo assim, não podemos ser condescendentes com tudo ou a situação termina nos engolindo e passivamente vamos nos deixar maltratar.

Mesmo que venhamos a ter pena dessas pessoas, mesmo assim, muitas vezes, precisamos impor limites, dizer o que achamos de tudo isso, como estamos nos sentindo, mostrar nossa contrariedade, negar os pedidos, ser firmes, esbravejar. Pois, esse tipo de pessoa, não se importam com o que os outros sentem e, sempre farão valer o que quiserem,onde e com quem estiver. Contudo, caberá a nós, deixarmos bem claro o nosso grau de tolerância para tanto descalabro. É claro que tem situações atípicas, onde em determinado momento, precisaremos entender as dores e necessidades do outro, quais suas razões, pois muitos dos que murmuram, estão realmente passando por momentos difíceis, que lhes desequilibram a mente. Nessa hora, precisamos refletir sobre o que devemos fazer, como agirmos, para que possamos perceber se nós mesmos não estamos sendo indiferentes a uma situação verdadeira. Nesse contexto, precisamos de equilibro e tentarmos mostrar ao amigo, que a condução do problema não deve ser gerido como ele o leva, mas de uma maneira menos agressiva e com mais paciência com quem está a sua volta, tentando ajudar.

No entanto, se a pessoa continua de forma agressiva maltratando quem tenta amenizar os problemas, devemos mostrar que a nossa tolerância tem limites e que não estamos prontos a sermos maltratados por pessoas desequilibradas. Não devemos, em hipótese alguma, deixar que pessoas descontes com a vida, desconte em nós seus problemas, suas frustrações, suas desilusões, dificuldades que não tem nenhum relacionamento com a nossa vida. Não podemos deixar que nos tratem com xingamentos, agressividades, gritarias. Já temos contrariedades demais em nossas vidas, para ficarmos aceitando comportamentos lunáticosde outras pessoas, mesmo que sejam amigas. Tolerar e aceitar demais, nos trona alvo fácil de quem passa o dia procurando alguém para azucrinar. Não sejamos esse alvo.