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Targino Gondim não é um simples reprodutor do legado de Luís Gonzaga, ele não é apenas um continuador da obra do Rei do Baião, Targino não se resume a propagar o ótimo e gostoso forró. O nosso compositor, cantador e sanfoneiro é o próprio forró, é a essência do nosso ritmo, da nossa música, a boa música que encontra no filho de Juazeiro uma labareda de esperança de que a resistência continua viva e presente em cada canto da Bahia, através de eventos idealizados pelo também produtor cultural, como o Festival de Forró que acontece hoje em Itacaré e conseguiu atrair turistas de boa parte do Brasil, inclusive de Vitória da Conquista e da região sudoeste.
Já aconteceu o evento em Mucugê, coberto de êxito e já tem outro agendado para os dias 20 e 21 de abril, o Conecta Chapada, a realizar-se em Andaraí. Sem esquecer do já consagrado Festival da Orquestra Sanfônica, quando reúne quase 50 sanfoneiros ao mesmo tempo no palco. 
A presença marcante de Targino no mundo cultural e musical o credenciou desde cedo a inserir o seu nome junto à grandes artistas nacionais como Gilberto Gil, com quem gravou Esperando na Janela, seu primeiro grande sucesso e que o projetou para todo o país. “A boa música precisa tocar nas rádios, senão seremos engolidos pelas baixarias. Respeito todas as vertentes musicais, mas é responsabilidade de todos nós ocupar o nosso espaço”. A Secretaria de Turismo do Estado e a Bahiatursa patrocinam o evento em Itacaré como forma de interiorizar o turismo e a cultura. A ocupação da rede hoteleira deve chegar a 100%, conforme informa a assessoria de comunicação da Setur-BA.
Toda essa movimentação de Targino Gondim despertou no mundo político e na própria classe artística o desejo de levar a sua voz para Brasília, onde fará a defesa da cultura baiana e nordestina. Sobre o assunto, conversei ontem com Paulo Gondim, irmão de Targino, e com o próprio artista: “Realmente a conversa vem acontecendo, muita gente tem nos procurado, amigos, políticos, todos incentivando, só que Targino está envolvido em tantos projetos que nem dá tempo pra ele pensar. Mas o assédio é grande”, disse o irmão que cuida também das produções de Targino. “Estou gravando dois discos, um com músicas de forró com participações, e outro intitulado Sem Limites, onde eu convido diferentes vertentes musicais, grandes nomes como Baiana System, Carlinhos Brown, Zeca Baleiro, Ivete, dentre outros. Então meu trabalho é grande, não posso perder o foco. Estou acompanhando tudo, os convites estão sendo feitos, tenho ouvido, mas não é uma decisão fácil”. Já teria um partido, Targino? Perguntei. “Nada definido, a avaliação será cuidadosa. Independente do partido eu serei Targino, com os meus propósitos, como o público me conhece. Vamos aguardar.”
Evidente que Targino não está indiferente ao que está acontecendo ao seu redor. Se ele aceitar o desafio, terão que dançar segundo a sua música. Não é uma imposição, Targino além de cantar, ele conversa, dialoga, fiquem tranquilos.