slide_2

“Interessante: O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto. O brilho virou gloss. O rímel virou máscara.
A Lycra virou stretch. Anabela virou plataforma. O corpete virou porta-seios. Que virou sutiã. Que virou silicone.
A peruca virou aplique… interlace… megahair… alongamento. A escova virou chapinha.
‘Problemas de moça’ viraram TPM.
Confete virou MMs.
A crise de nervos virou estresse.
A tristeza agora é depressão.
O espaguete virou miojo.
A paquera virou pegação.
O LP virou CD. A fita de vídeo é DVD. O CD já é MP3.
É um filho onde eram seis. O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail.
O namoro agora é virtual. A cantada virou torpedo. E do ‘não’ não se tem medo.
O break virou street. O samba, pagode. O carnaval de rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro, halloween.
Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um pentelho. Elis ressuscitou em Maria Rita.
A AIDS virou gripe. A bala antes encontrada agora é perdida. A violência está maldita.
A maconha é calmante.
O professor é agora o facilitador. As lições já não importam mais.
A guerra superou a paz. E a sociedade ficou incapaz. De tudo. Inclusive de notar essas diferenças.”

Luís Fernando Veríssimo