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“Crise econômica nunca foi motivo para se destituir presidente”, diz Zé Raimundo

zé raimundo

                                    Foto: Ascom Câmara

O deputado estadual, ex-prefeito e vice-prefeito de Vitória da Conquista, José Raimundo, conversou com o Blog do Massinha durante as festividades do Natal da Cidade, no Centro Glauber Rocha de Educação e Cultura. Na ocasião, foram conversados assuntos como sucessão municipal, fragmentação da base aliada e atual situação política nacional.

BM: A efervescência política que estamos vivenciando não está se aproximando de você pelo menos aqui é o que a gente percebe. O que é isso Zé, seria reflexo de uma candidatura e uma administração que está tão recente e fica no imaginário das pessoas?

ZR: Eu tive a honra enquanto militante do PT e das siglas aliadas de ter contribuído todos esses anos para o debate público sobre a cidade e na construção de alternativas para o nosso município. Nós que estamos desde 1982 nas disputas eleitorais, e tive a oportunidade de ter sido prefeito, vice-prefeito, voltei a dar aulas em 2009 e 2010 e me elegi a partir de 2011 deputado estadual sendo reeleito agora. Procuro sempre contribuir com nossa região e cidade, sobretudo, nessa parceria que temos com o deputado Waldenor Pereira. Percorremos os   espaços coletivos, e principalmente agora, estamos aqui prestigiando este evento num espaço público, como o Glauber Rocha e constatando a fluência de um grande público, onde as pessoas estão apreciando toda essa programação. Aproveito este momento para poder me comunicar com as pessoas, cumprimentá-las e agradecer sempre que posso esse apoio dado pela cidade. Sabemos que tem esse momento da conjuntura nacional e as dificuldades do ponto de vista econômico e político em nosso país. Nosso mandato tem trabalhado para discutir com a população, fazendo uma autocrítica no que for necessário e mostrar também os avanços e seriedade deste projeto que está passando por uma prova muito dura no campo da política e do governo econômico.  Mas, temos a convicção de que isso poderá ser superado e no debate de 2016, independente de candidatura, mostrar para cidade que temos condições de apresentar um programa fazendo esse balanço de quase 20 anos de avanços.  Poderemos elencar obstáculos que ainda existem para continuarmos trabalhando pelo desenvolvimento de Vitória da Conquista.

BM: A cidade está num momento de proposição de mudança, evidentemente pelo lado da oposição. Como vocês observam isso após 20 anos com o projeto do Governo Participativo  governando a cidade?

ZR: Reconhecemos o direito de todos os partidos e legitimamente faz parte da democracia eles apresentarem nomes, as críticas, sugestões, projetos na visão de cada grupo e articulação política para representar o melhor para cidade. Claro, que um projeto que já vem há dezenove anos, ele tem muitos pontos positivos, mas, essa sensação de durabilidade pode criar uma falsa consciência de continuísmo. Diria que esse projeto houve um momento de renovação e de ampliação do seu raio de visão. Nós saímos num primeiro momento na organização do projeto através da parte social, com educação, saúde, programas de proteção à criança,  garantias de direitos sociais, conjuntos habitacionais e geração de emprego e renda. Depois investimos na estrutura urbanística da cidade para que ela se desenvolvesse. Neste terceiro momento, vemos algumas novidades como investimentos na cultura. Talvez nesse momento de crise seja preciso repensar outros momentos da crise nacional da economia e que desafios que a gente pode pensar. Esses anos foram momentos também de renovação, não foi um projeto que teve um continuísmo, ele mesmo soube se renovar e ampliar seu leque e raio de ação e é isso que vamos debater agora em 2016 juntamente com a base aliada.  Acho que a cidade reconhece um balanço extremamente positivo e com tantas conquistas na área social e com outros projetos que estão em andamento, como o novo aeroporto, que está com as obras da pista praticamente concluída, faltando apenas o terminal de passageiros, a infraestrutura hídrica com a nova barragem sendo licitada, na parte de saúde novos equipamentos como as UPAS e infraestrutura urbana com muitas ampliações de avenidas. Além disso, o programa Minha Casa Minha Vida do Governo Federal, a UFBA  com a  inclusão de novos curso. Creio que a população deve avaliar esse legado durante esses anos e também é natural que se proponham novos horizontes, desafios e novas aspirações. A partir daí, poderemos dialogar com a cidade com esse projeto que tem feito tão bem ao município e região.

BM: Tivemos encabeçado pelo prefeito Guilherme Menezes, o lançamento do nome do secretário Odir Freire.  Também tivemos uma reunião de prestação de contas dos mandatos dos deputados José Raimundo e Waldenor, claro, que muitas pessoas pensavam que naquele momento aconteceriam os lançamentos das suas pré-candidaturas. Em seguida há um lançamento conjunto das forças do grupo do seu nome e de Nonô. O que expressa a essa decisão de vocês já que os dois parlamentares comungam das mesmas ideias?

ZR: Os nomes que foram colocados até agora são legítimos, evidentemente que Odir Freire que é um dirigente do governo tem sua inserção dentro do grupo de partido mais ligado ao governo. O companheiro Marcio é um jovem ligado aos movimentos sociais rurais, sobretudo, MST e o professor Marcelo Matos faz parte de uma articulação. Estes são nomes que fazem parte desta cultura do PT e do processo de discussão. Os nomes meu e de Waldenor Pereira estão sendo colocados também para fazer parte dessa reflexão interna da sigla. O deputado Waldenor foi o deputado ligado ao nosso grupo do projeto de governo do estado e da presidente Dilma, foi o nome mais votado com quase 32 mil votos, eu tive quase 31 mil votos e reconheço também que meu nome é lembrado em função de ter sido prefeito. Mas, a nossa ideia é estabelecer dentro da sigla o perfil para com os nomes que foram postos fazendo uma avaliação interna dentro do partido. A partir daí, buscar um consenso e uma unidade que possa conduzir a articulação dentro da base aliada do Governo Estadual e Federal que apoia nosso projeto e agenda do partido. O deputado Waldernor tem um acúmulo extraordinário, sendo por duas vezes reitor da UESB, quatro mandatos de deputados, dois como estadual e agora no segundo como federal podendo ajudar muita gente a trabalhar. Da mesma forma que os outros nomes podem enriquecer uma síntese partidária para que possamos debater a cidade e discutir com outras forças políticas.

BM: Você sabe da sua densidade eleitoral, além de ser ex-prefeito e deputado estadual bem votado tem a sua presença e popularidade. Para a unidade do partido, é possível sem deixar traumas que haja rupturas mais profundas, inclusive ocorrendo o seu apoio e do candidato  Waldenor a Odir?

ZR: Essa questão de definição de nomes ainda vai passar por um processo interno no calendário nacional do partido até o mês de abril para definição das chapas nos municípios. Temos ainda uns dois a três meses para refletirmos internamente e vermos a forma como se dará isso, o clima e o compromisso de cada grupo com o projeto. Eu sou militante e sempre coloquei a minha militância a serviço do coletivo. Naturalmente reconheço que se não houver independente de quem seja o candidato, um clima de unidade, isso dificultará bastante. Nenhuma eleição é fácil e você não tem de antemão o resultado dela, mas, quando vamos por  consenso, com militância e a força do coletivo as possibilidades são bem maiores. Eu acho que vamos ter também que recriar as condições necessárias para que façamos uma disputa eleitoral e continuemos dirigindo a cidade.

BM: Você acredita num retorno do candidato Fabrício ou do PCdoB a base aliada, após terem saído no lançamento de uma candidatura própria? Isso poderia inclusive manter a unidade e, sobretudo, conter o avanço indiscutível e inquestionável da oposição rumo à prefeitura em 2016?

ZR: A orientação que temos do Conselho Político do governo baiano é que nas três cidades que tem segundo turno, como Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista, na medida do possível a base deve estar unificada já no primeiro turno. Mas, caso isso não ocorra, não será obstáculo para alianças no segundo turno. Entendemos que no primeiro momento os partidos legitimamente, a exemplo, de PSB e PCdoB querem mostrar também seus projetos e as suas lideranças e de certo modo isso é natural. Mas existe uma orientação que todos os partidos estejam unificados já no segundo turno. Acredito que o PSB e PCdoB estarão juntos com a gente nesse segundo momento. Nossa confiança é muito grande de que poderemos apresentar para cidade uma chapa e um programa capaz de concorrer e continuarmos na direção do município. Claro, respeitando os adversários e a legitimidade de todos os grupos, tanto os partidos companheiros de nossa base quanto às siglas de oposição.

BM: Diante desse cenário de dificuldades do partido de vocês nacionalmente e pelo tempo que estão com o Governo participativo, não seria prudente resgatar todas as siglas da base, inclusive, permitir que os partidos que compõem a base aliada fortaleçam essa unidade tirando o PT dessa exposição  de forma mais firme e presente?

ZR: Na política tudo é possível, dentro de um processo de discussão, arrumação e articulação. Eu diria também que as outras siglas têm muitos problemas, por exemplo, o PMDB. Só que  infelizmente a grande mídia foca o nosso partido como sendo alvo exclusivo das coisas ruins que acontecem no país. Na verdade não é isso, esse modelo político está falido, a estrutura partidária e o sistema eleitoral precisam ser radicalmente transformados. Essa é a missão das forças democráticas de esquerda. Após as eleições de 2016, precisamos fazer uma grande reforma política que não houve, começando inclusive pelo processo de campanha que não deve ter  financiamento privado e empresarial para as campanhas . É preciso que a sociedade reflita sobre os erros e acertos e aquele que tenha comportamento ilícito seja punido rigorosamente, seja qual for o partido. Graças a Deus aqui em Conquista a população separa e consegue entender que existe um grupo que trabalha em prol da cidade sem estar envolvido em alguma coisa ruim. Esse debate vai permitir que o PT mostre à sociedade onde estão efetivamente os erros da política e aqueles inclusive que estavam de nosso lado e erraram estão pagando pelos seus atos graças ao mecanismo criado pelo nosso governo federal. Infelizmente existem também muitas pessoas da oposição que a imprensa não divulga ou não dá o peso merecido a essas ações. Como por exemplo, o presidente Eduardo Cunha, claramente envolvido em falcatruas. Enquanto a presidente Dilma, não tem nada que possa ser contra a pessoa dela, a não ser essa questão financeira e econômica. Mas, crise nunca foi motivo para se depor presidente, até porque se fosse, o Brasil jamais teria concluído um período de  mandato presidencial. Todos os presidentes passaram por momentos de crise econômica, inclusive nos anos 80, foram dez anos de crises econômicas, onde o PIB não cresceu. Temos condições de superando esse um ano e meio a partir de 2017 /2018 estarmos voltando ao crescimento e prosseguindo o projeto.  Com relação à Conquista, acho que o PSB e o PCdoB contribuíram fundamentalmente para este projeto. O PT e nós que estamos à frente dele não somos eternos e naturalmente lideranças aparecerão para conduzir o processo, o que importa são as nossas causas e ideais.

1 resposta para ““Crise econômica nunca foi motivo para se destituir presidente”, diz Zé Raimundo”

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